Pequim 2008: judocas brasileiros são apresentados oficialmente

Hugo Cals, JB Online

RIO - Aconteceu nesta sexta-feira, na sede da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), localizada no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, a apresentação oficial dos judocas brasileiros que irão disputar as olimpíadas de Pequim, que acontecem no próximo mês de agosto. Pela primeira vez na história do esporte, o Brasil tem chances reais de competir em todas as categorias, incluindo masculino e feminino. O país já tem 13 atletas classificados para o jogo e há grandes chances que Priscila Marques (categoria pesado, + 78 Kg), se classifique também, completando o time de 14 judocas brasileiros nas olimpíadas.

Antes de Pequim, o judoca disputará o torneio de ranqueamento olímpico em Buenos Aires, em abril, e o campeonato pan-americano em Miami, em maio, por isso Ney Wilson, o coordenador técnico da seleção brasileira de judô acredita que a judoca conquistará a décima quarta vaga do judô brasileiro. Com a equipe completa, toda a comissão técnica espera quebrar o recorde de medalhas do judô brasileiro em olimpíadas (até hoje o recorde são 3 em Los Angeles, 1984). Ao todo, o judô brasileiro já conquistou 12 medalhas olímpicas. É o terceiro esporte mais vitorioso do Brasil em Olimpíadas, atrás apenas do iatismo, com 14, e do atletismo, com 13.

- Se conseguirmos quatro medalhas, sendo uma delas de ouro, conseguiremos superar todos os resultados anteriores em Olimpíadas declarou Wilson.

O coordenador técnico brasileiro fez questão de ressaltar que a quantidade de atletas já classificados reflete a boa fase do judô brasileiro e que países com tradição no esporte, como França e Japão, correm sérios riscos de não terem 14 judocas disputando medalhas em Pequim. O presidente da CBJ, Paulo Wanderley Teixeira, completou:

- Nunca tivemos resultados tão positivos como os dos jogos Pan-Americanos de 2007, e do Campeonato Mundial de Judô. Realizamos um trabalho de estruturação para atingir bons resultados em Pequim.

Uma das judocas mais conhecidas do Brasil, Edinanci Silva, que também estava presente disse estar esperançosa com a equipe que viaja para Pequim em 2008:

- Nas olimpíadas passadas, tínhamos duas ou três atletas competindo com condições de ganhar medalhas, agora teremos pelo menos seis.

Com a ida as olimpíadas de Pequim Edinanci acumulará quatro olimpíadas em sua carreira e se tornará a judoca brasileira recordista em participações. No entanto, questionada se a sua experiência significava maior chances de medalha, Edinanci desconversou:

-Em uma olimpíada, experiência não quer dizer nada. A condição de medalha é igual para todos. Acredito até que as possibilidades de medalha são maiores para as atletas estreantes em olimpíadas, por que elas podem surpreender as adversárias. Temos que acreditar no trabalho desenvolvido não só para pro judô, mas para as atletas em si. O judô feminino no Brasil não pára de crescer.

A ex-atleta Rosicléia Campos, que competiu nas olimpíadas de Barcelona e Atlanta, e que agora é a técnica da seleção feminina de judô ratificou a declaração de Edinanci, afirmando que em Pequim, ela espera que o Brasil consiga sua primeira medalha na categoria:

- Eu trabalho realmente para isso, entrei na equipe em 2005, e acredito que as sete medalhas conquistadas no Pan do Rio foram um bom começo. Temos chances reais de finalmente conquistar nossa primeira medalha olímpica.