China é acusada de aumentar repressão antes dos Jogos Olímpicos

Agência EFE

NOVA YORK - A repressão sistemática da dissidência na China reduziu significativamente o respeito aos direitos humanos no país, a quase seis meses do início dos Jogos Olímpicos de Pequim, denunciou hoje a organização Human Rights Watch (HRW, na sigla em inglês).

A entidade, que tem sede em Nova York (EUA), advertiu em comunicado que as autoridades chinesas têm utilizado com freqüência nos últimos meses acusações pouco precisas de subversão contra dissidentes e ativistas.

- Pequim não deu nenhum sinal de que cumprirá a promessa formulada à comunidade internacional em troca da oportunidade de organizar os Jogos Olímpicos - disse a vice-diretora da HRW para a Ásia, Sophie Richardson.

Richardson acrescentou que as autoridades chinesas 'puseram em prática um empenho sistemático para silenciar e reprimir os cidadãos chineses que pressionam seu Governo a aumentar o respeito aos direitos humanos'.

Em comunicado, a HRW mencionou a condenação do escritor Lu Gengsong no último dia 4 a quatro anos de prisão por 'incitar a subversão do poder do Estado', transformando-o no sexto dissidente a ser sabidamente processado por este delito em menos de um ano.

Os outros são os ativistas de direitos humanos Hu Jia e Yang Chunlin, além do pintor Yan Zhengxue e dos escritores Chen Shuqing e Zhang Jianhong.

A HRW assinalou que o crescente uso das acusações de crimes de subversão, considerados violações da segurança estatal, reflete-se no aumento de 20% das penas por delitos contra o Estado nas estatísticas do Ministério da Justiça chinês.

Além disso, segundo a entidade de defesa dos direitos humanos, as autoridades chinesas também intensificaram o acompanhamento e a intimidação de familiares dos dissidentes.

A HRW denunciou que a esposa de Hu Jia e sua filha de dois meses estão confinadas sem telefone em sua residência desde a prisão do ativista, em dezembro.

Além da intimidação de dissidentes, existem outros abusos de autoridade relacionados aos Jogos Olímpicos, como despejos de inquilinos, expropriações, fechamentos de escolas para imigrantes e campanhas de intimidação contra imigrantes rurais, mendigos e prostitutas, alertou a HRW.

Segundo Richardson, 'a repressão vai crescer até a abertura dos Jogos caso os Governos estrangeiros, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os comitês olímpicos nacionais não advirtam a China de que estas violações põem em perigo o sucesso do evento em agosto'.