Boca Juniors vence o Grêmio por 2 a 0 e é campeão da Libertadores

Agência JB

RIO - Mesmo toda a ajuda dos torcedores, que horas antes do jogo já lotavam o estádio Olímpico, em Porto Alegre, não foi suficiente para que o Grêmio revertesse a vantagem do Boca Juniors, na segunda partida da final da Taça Libertadores da América. A derrota por 2 a 0, ontem, foi um fim trágico para uma equipe que lutou muito durante a competição. O problema dos gremistas foi enfrentar um time que teve calma e Riquelme, o inspirado craque autor dos dois gols.

Como precisava fazer três gols de diferença para levar a partida à prorrogação, o Grêmio partiu para cima do Boca já no primeiro minuto de jogo. O time mostrava muita garra, no entanto, confundia vontade com afobação. Mesmo com toda pressão aplicada sobre os argentinos, o goleiro Caranta teve pouco trabalho.

Isolado no ataque, tudo que o atacante Tuta conseguiu no primeiro tempo foi levar uma cotovelada ocasional do companheiro de equipe Teco. O meio-campo gaúcho tinha a posse de bola por mais tempo, porém, não passava da barreira defensiva do Boca. Toda pressão e ímpeto ofensivo deixavam espaços na defesa. Assim, a equipe argentina conseguiu levar mais perigo do que o próprio Grêmio. Aos 27 minutos, Palacio fez boa jogada, tirou o goleiro Saja da jogada e chutou. Atento no lance, o lateral Patrício tirou a bola com um carrinho providencial.

No desorganizado e afoito time gaúcho Diego Souza tentava buscar jogo. Foi dele a única bola realmente perigosa. Aos 41 minutos, Lucas deu boa arrancada, puxou o contra-ataque e tabelou com Diego que, em seguida, acertou um belo chute que explodiu na trave argentina.

Na saída para o intervalo, os gremistas se mostraram cientes do problema da equipe.

Estamos querendo fazer os três gols antes do primeiro. Temos que voltar mais organizados afirmou William.

O Volante Lucas fez coro:

Estamos com muita pressa. Precisamos tocar mais a bola.

A conversa no vestiário pareceu ter surtido efeito. Aos 4 minutos do segundo tempo, Amoroso, que, no intervalo, substituíra Tcheco, cobrou falta pela direita do ataque. O zagueiro argentino com passagem pelo Boca, Schiavi, que entrara no lugar de Teco, lesionado, cabeceou a bola na trave. No rebote, Diego Souza chutou e o goleiro Caranta fez ótima defesa.

A pressão gremista continuava. e, aos dez minutos, o lateral Lúcio arriscou de fora da área. O chute passou com muito efeito, rente ao gol argentino.

No entanto, depois dos 15 primeiros minutos os gaúchos deixaram os argentinos entrarem no jogo. E, aos 23 minutos, a Libertadores chegou ao fim para o Grêmio nos pés do melhor jogador das finais, o apoiador Riquelme. O camisa 10 argentino recebeu a bola na entrada na área pelo lado direito e acertou um belo chute de curva, que entrou no ângulo direito do goleiro Saja.

Mas o craque não se deu por satisfeito e, 12 minutos depois, fez o segundo. Ele aproveitou uma bola largada por Saja após chute de Palacio e marcou o segundo gol.

Poderia ter sido goleada. O Boca ainda perdeu um pênalti com Palermo, que se mostrou especialista nesse tipo de jogada quando desperdiçou três pênaltis, atuando pela seleção Argentina, numa mesma partida, contra a Colômbia, na Copa América de 1999. Sua falta de talento para cobranças, porém, não fez falta ao Boca Juniores.

Batido, o Grêmio, apenas assistiu à troca de passes dos campeões. Na arquibancada, porém, seus torcedores aplaudiram o time, que mesmo sem ser brilhante, lutou muito para conseguir a taça.