Pólo feminino compensa deficiências com tática de cansar rivais

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SÃO PAULO - A seleção brasileira feminina de pólo aquático aposta em uma forte preparação física para adotar a tática de cansar as adversárias e assim superar as deficiências técnicas nos Jogos Pan-Americanos do Rio.

O Brasil terminou o Mundial no final de março em 10o lugar, mas o fato de ter melhorado três posições em relação ao último campeonato deixou o técnico Roberto Chiappini animado para levar a equipe ao pódio pela terceira vez seguida no Pan.

- Falta mais qualidade técnica e o forte da equipe brasileira é o físico, não devemos nada para ninguém. Acredito que podemos manter um ritmo forte desde o início até o final e numa partida equilibrada isso faz a diferença no final. Ter mais braço, mais perna para decidir uma jogada, disse ele à Reuters.

A atacante Flávia Fernandes concorda com o treinador e acredita que a tática de cansar o adversário pode ser uma boa aposta para uma equipe que enfrenta dificuldades de treinamento e poucas chances de disputa com times de maior expressão.

- Se você está cansado, o outro tem que estar mais cansado, essa é uma das táticas. No Mundial deu para mostrar estabilidade (em todos os jogos) pela primeira vez, e com certeza lá o físico fez a diferença, avaliou ela.

Depois de dois bronzes nos últimos dois Pans, Chiappini acredita que a diferença física pode garantir algo mais no Rio, principalmente depois de ter perdido por apenas três gols de diferença para as canadenses no Mundial.

O formato da disputa para o Pan ainda não está definido, mas estão classificados Estados Unidos, Venezuela, Canadá, Cuba e Porto Rico, além do Brasil.

- Cuba é o adversário direto pelo bronze, Canadá e Estados Unidos estão um degrau acima. Mas vamos tentar um resultado histórico, tentaremos a prata, porque o resultado contra o Canadá nos dá esperanças de conseguirmos algo mais, disse ele, lembrando que a equipe norte-americana virá completa, pois o Pan dá uma vaga para a Olimpíada de 2008. Chiappini pretende realizar uma série de amistosos de 15 a 30 de junho com cerca de 20 atletas e em seguida reduz a equipe para as 13 que irão ao Pan. Como 80 por cento das jogadoras estão concentradas em São Paulo, ele não enfrenta os mesmos problemas da equipe masculina, obrigada a se reunir somente nos finais de semana.

Segundo o técnico Bárbaro Cervantes, metade dos jogadores treina em São Paulo e outra metade no Rio, com o auxiliar-técnico Paulo Rogério Rocha. Por enquanto, os treinos focam mais a parte física, e a partir de maio ele pretende reunir todos, revezando um fim de semana em cada cidade.

A comunicação entre os dois é principalmente via email e Bárbaro pretende fazer o último corte às vésperas do Pan, depois de realizar amistosos no fim de junho na Eslováquia e possivelmente Hungria.

- No esporte coletivo a divisão é péssima, mas a gente tem que trabalhar com as condições financeiras e de organização que temos. A dificuldade é não saber como o outro joga, deixamos de ganhar intimidade de jogo, explicou o atacante Erik Seregeer.

Assim como no feminino, o esquema de disputa ainda não está definido, mas vão disputar o Pan, além do Brasil, EUA, México, Cuba, Porto Rico, Colômbia, Argentina e Canadá. Depois da prata em Santo Domingo, em 2003, Cervantes aposta em nova medalha.