NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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Foto: Bruno Lorenzo/LNB
Credit...Foto: Bruno Lorenzo/LNB

Olivinha, o 'Deus da Raça'

No basquete encontramos muitos anglicismos. Expressões como "flopar" e "dunkar" aparecem neste peculiar vocabulário para designar jogadas como enterradas. Uma destas expressões era muito ouvida antes de começar o jogo 3 das finais do NBB entre Flamengo e Sesi Franca. O time que perde uma série de playoff sem vencer um jogo foi "varrido", em ingles swept, pelo adversário. Era nesse cenário em que o time do Flamengo se encontrava para a disputa do jogo.

Depois da dura derrota sofrida no jogo 2, na última quinta-feira, 64 a 62, na frente de um Maracanazinho lotado, a apreensão da torcida era visivel, e ficaram muitos questionamentos. Olivinha esteve muito mal no jogo 2; ficou a dúvida: como viria para esse jogo o "Deus da Raça"? Será que Dar Tucker e Brandon Robinson conseguem ser consistentes na partida? E aquele ultimo lance de quinta-feira, penetração e a cesta por Yago, tinha sido a melhor jogada para aquele momento da partida? Em sua entrevista coletiva na quinta, o técnico Gustavo de Conti disse que "se sairmos um pouco e olharmos para cima, todos os jogos foram durissimos. Franca venceu o primeiro por 6 pontos e o segundo por apenas 2 pontos. Estamos na série e agora é um jogo por vez". E foi neste espirito que o Flamengo começou o jogo número 3.

 

Macaque in the trees
Vitor Faverani do Fla mostrou que o Rubro-negro tem musculos para bater o Franca (Foto: Bruno Lorenzo/LNB)


O Sesi Franca veio com a chance de matar a série, mas sabendo que se perder, volta aos seus domínios, onde não perdeu nesta temporada do NBB. Só teve uma derrota jogando no Pedrocão, no Super 8, para o Caxias, quando jogou com o time reserva. O primeiro quarto acabou empatado em 16 a 16, com Lucas Dias do Franca muito bem com 12 pontos. O jogo começou mesmo a se decidir a favor do Flamengo no final do segundo período. O Americano Dar Tucker foi fundamental com 6 pontos, 4 de lances-livres, e uma bela bandeja depois de passe do armador Franco Balbi faltando apenas um segundo para acabar o periodo. O jogador tem técnica, mas preza também pela raça e disposição. A explosão do jogador ao terminar essa jogada inflou a torcida do Flamengo que se encontrava apreensiva com medo da repetição do roteiro do jogo 2.

E foi nesta mesma pegada, com jogadas que às vezes eram mais de raça do que de técnica, que o Flamengo teve seus melhores momentos nestes dois jogos no Maracanazinho nestas finais. O Rubro-Negro dominou os rebotes defensivos, não deixando o Sesi Franca ter a oportunidade de pontuar após erros no ataque. Junte-se a isso um pivô, Vitor Faverani, aproveitando a jogada perto da cesta com duas belas enterradas, e uma atuação memorável de Olivinha. O camisa 16 do Flamengo deixou literalmente o sangue em quadra. Em uma jogada no terceiro periodo, Olivinha chegou a sair de quadra com um forte sangramento. Retornou no começo do quarto período, e com um rebote e uma bola de três pontos colocou o Fla à frente por 62 a 53.

 

Olivinha

A emoção final ficou para os últimos 50 segundos de partida. Com o placar marcando 77 a 71 para os cariocas, Olivinha do Flamengo e Lucas Mariano do Franca se enrolaram na busca de uma bola perdida. Falta de Olivinha que estava nas costas de Mariano. O jogador de Franca se levantou bruscamente, causando uma forte queda em Olivinha. O clima esquentou e a arbitragem teve que intervir. Após consulta entre os três arbitros, saiu o veredito: falta de Olivinha no primeiro lance, o que daria dois lances-livres para o Franca e uma falta antidesportiva para Lucas Mariano. Essa antidesportiva deu ao Flamengo um ataque de 4 pontos: dois lances-livres de Olivinha, seguidos por uma cesta de 2 de Yago Matheus. Cesta esta feita tal e qual a jogada desenhada no jogo 2. No final, vitoria do Fla por 81 a 75, e Franca guardou as vassouras no armário.

Voltando ao maior destaque da partida: Olivinha. Lembro-me 2016, em uma reformulação do elenco, escutar que o jogador teria cada vez mais uma participação menor e deveria vir do banco. Desde 2016, Olivinha já venceu um NBB, dois Super 8, um Intercontinental, todos estes campeonatos com o jogador tendo papel de destaque. O "Deus da Raça" do basquete do Flamengo sempre é o nome mais aplaudido pela torcida e merece cada um destes aplausos. Hoje foi "só" mais um tijolo na parede de grandes ídolos do basquete nacional que Olivinha colocou. A imagem dele retornando ao jogo com uma toca, totalmente "pilhado", fica como um dos melhores momentos desta final do NBB 2021/2022. Seus 27 pontos em quadra e seus pontos na lesão sinalizam que o jogador irá deixar tudo para ajudar o Flamengo nesta e em futuras jornadas.

Agora a série volta para Franca, para o jogo 4, dia 9/6 às 18:30. Caso o Flamengo vença, preparem os corações porque teremos mais um jogo 5 entre o Rubro-Negro e Franca decidindo o NBB.



Olivinha comandou mais uma vez o Fla à vitoria
Vitor Faverani do Fla mostrou que o Rubro-negro tem musculos para bater o Franca


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