NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

.

...
Credit......

Macaque in the trees
Kevin Durant com cara de poucos amigos no banco enquanto aguarda o seu teste de Covid no jogo da ultima sexta-feira contra o Raptors (Foto: Getty Images)


Chuvisco

Se você acha que os lugares para quem procura treta, intriga, lacração e suspense são os reality shows que estão no ar, devo dizer que estão procurando no lugar errado. Bem-vindo ao mundo do basquete e da pandemia da covid-19! Na sexta-feira tivemos mais um capítulo escrito nesta comédia de erros que virou a temporada do esporte da bola laranja em 2021.

Vamos começar com quem imaginávamos que teria um melhor controle sobre a pandemia: a NBA. A mais famosa liga de basquete do mundo, uma das marcas mais importantes nos esportes, parece trabalhar com afinco para mudar a percepção do público da boa condutora de eventos esportivos durante a pandemia. Até mesmo quem não acompanha a NBA sabia que os desafios de não ter a bolha eram enormes. E se existia uma entidade capaz de entender o que deveria ser feito era a NBA. Ledo engano.

Depois de situações constrangedoras com Seth Curry do Philadelphia 76ers, que foi retirado do banco após o começo da partida e com praticamente todo o time do Washington Wizards com 6 jogos adiados, a confusão “só" ocorreu com um dos maiores nomes da NBA, líder de votos no leste no All Star com mais de 2 milhões de votos: Kevin Durant.

Vamos recapitular a comédia de erros da última sexta-feira: o Brooklyn Nets jogaria contra o Toronto Raptors com todas as suas feras: Durant, Irving e Harden. Quando, não mais que de repente, minutos antes da partida, do über-reporter Adrian Wojnarowski, o Woj, saiu um lacônico “tuite" avisando que Durant não começaria o jogo devido ao protocolo de Saúde e Segurança da NBA. Minutos depois, quem aparece bem serelepe no banco? Sim, ele mesmo: Kevin Durant. Depois de jogar 19 minutos o jogador foi retirado do jogo. Por quê? Porque ele teve contato com alguém com um teste inconclusivo no começo da partida e o resultado chegou enquanto acontecia o jogo. Não sou epidemiologista, ora bolas NBA, se é o Durant, o Lebron, não importa. Se teve contato e existe a mínima suspeita, não importa quem seja, tem que ser retirado do contato imediatamente. Será que isso é tão difícil?

Pelo visto é. Os movimentos mais recentes da liga mostram que existe um relaxamento acontecendo e não sendo acompanhado e noticiado como deveria. Enquanto perdemos tempo discutindo bobagens, a Liga vai relativizando a pandemia e jogando com a sorte com o vírus. Atitudes como permitir público nos ginásios podem agradar os donos de equipe, mas será que vale o preço que pode ser pago?

Cancelamento

Enquanto isso, a FIBA Americas mostrou que por aqui a coisa é ainda mais complicada. Flamengo, Minas e Instituto Córdoba disputavam no Grupo D da BasketBall Champions League 2021 no Maracanãzinho. Na quarta-feira tivemos um ótimo jogo entre Flamengo e Minas com vitória dos comandados de Gustavo De Conti por 79 a 69. No dia seguinte, na quinta-feira, o time de Minas precisava da vitória sobre os Argentinos e conseguiu por 100 a 85. Na sexta, Flamengo e Instituto fariam o último jogo do grupo sem favoritos. Quando, não mais que de repente, saíram os testes de 6 jogadores do Instituto confirmando a contaminação por covid-19. Jogo cancelado e adiado para uma data futura.

Para quando, eu pergunto. O calendário está apertado e as viagens cada vez mais difíceis de se realizarem. O que a FIBA Americas vai fazer? Uma bolha? Onde? Com que clubes? E como fica o Minas e o Flamengo para o restante da temporada? Caso ocorra um surto de Covid-19 nos dois times - estamos falando dos times nas primeiras posições do NBB. O Flamengo teve um surto recente e a duras penas conseguiu recuperar os jogadores. Já o Minas pode ter seu sensacional NBB prejudicado por esta manobra desastrada da FIBA. Esperamos que nenhum destes cenários catastróficos se confirme. Não pelas ligas e seus dirigentes, mas pelo bem do basquete.

Macaque in the trees
A seleção numero um do Draft, Anthony Edwards, não mudou a sorte do Wolves na NBA (Foto: Foto: reprodução)


Matrix

Uma das histórias mais inacreditáveis que acompanho nesta temporada da NBA é ser a turma de calouros “uma grata surpresa” e “cheia de talentos”. Chega a ser injusto pedir muito deste grupo de jovens jogadores que, além de muito novos, a maioria nem teve a possibilidade de integrar uma temporada da NCAA para lapidar o talento. Edwards, do Wolves (14 pontos), Wiseman do Warriors (12 pontos e 6 rebotes) e Ball do Hornets (13 pontos e 6 assistências) são bons jogadores mas longe de serem os jogadores que mudariam o destino de um time. Edwards talvez seja um pontuador de elite em pouco tempo e Wiseman pode ser a “ponte" entre o núcleo Curry-Thompson-Green e o próximo grande time do Warriors, mas pedir mais que isso hoje é impossível.

A indústria da supervalorização, o popular “Hype”, luta fortemente contra aquela bobagem chamada “Realidade”. E a realidade é que a escolha número um do Draft joga no pior time da liga. As duas escolhas número 1: Pelicans e Wolves não tiveram os destinos alterados com o draft.

NBA Action

Falando em Hype, não fez muito bem para a popularidade de Trae Young desaparecer dos “tuites” de melhores momentos. Se no ano passado o jogador do Atlanta Hawks liderou a preferência do público com quase 2.9 milhões de votos, este ano o armador amarga a sexta posição no Leste atrás de jogadores como Jaylen Brown do Celtics e Zach LaVine do Bulls.

Poeta

O Hall da Fame e ex-pivô Shaquille O’Neal é só elogios a Zion Williasmson do New Orleans Pelicans. Apesar de ter jogado pouquíssimo na sua primeira temporada, Williamson na semana passada chegou aos 1.000 pontos contra o Indiana Pacers, se tornando o segundo jogador a chegar nesta marca. E isso somente na segunda temporada. Zion constantemente é comparado a Shaq, o que faz muito bem para o gigantesco ego de O’Neal.

Estado vermelho

A NBA pode se preparar para mais um problema quando o público voltar aos ginásios. A acalorada polarização na política americana causou problemas entre jogadores e público. E o alvo foi um dos maiores astros da NBA: Lebron James. No giro pelo leste, Lebron teve problemas nos jogos contra o Cleveland e em Atlanta. Nos dois casos, James era cobrado por suas posições pelos apoiadores do ex-presidente americano.

Macaque in the trees
Parece mas não é. CBB lança campeonato Brasileiro e pode confundir o torcedor com mais um campeonato de basquete em disputa no país (Foto: Foto: reprodução)

Ruído

A entrada do Flamengo no campeonato brasileiro de basquete da CBB pode causar uma confusão na cabeça do torcedor brasileiro. Vamos recapitular o que está acontecendo: a Confederação Brasileira de Basquete começou neste ano a organizar a antiga Liga Ouro, que se equivale a uma segunda divisão do basquete nacional. O campeão do Campeonato da CBB, se apresentar as garantias da Liga Nacional de basquete, pode disputar a primeira divisão: o NBB. Até aí, tudo bem.

Acontece que a CBB conseguiu atrair marcas que extrapolam o basquete e se não ocorrer uma mensagem bem clara, pode trazer estragos para o NBB. Não adianta dizer para um torcedor que o time do Flamengo que está disputando é um time B, em acordo com o Blumenau, com quando um arquirrival como o Botafogo, disputa um campeonato e decreta uma sonora derrota. O que interessa é que o Flamengo perdeu para o Botafogo.

E outra, senhores, nada mais insuportável para quem cobre e gera conteúdo para o Basquete Nacional do que ficar explicando toda semana o que está acontecendo, que campeonato é esse que o time disputa.

Se todas as partes se falassem, poderiam transformar o campeonato da CBB em uma liga como uma G-League, com o NBB no topo da cadeia. Será que todos os envolvidos têm esta mensagem clara ou estamos vendo um cavalo de troia no basquete nacional?

Melhoras

Desejamos melhoras para o armador australiano do Cavs, Matthew Dellavedova. Ele ainda não se recuperou da pancada na cabeça que recebeu no dia 12 de dezembro do ano passado e os Cavs estão bem cautelosos para seu retorno. Já se fala em aposentadoria do jogador. Esperamos que não, e em breve ele esteja em quadra pelo Cavs e nas Olimpíadas pela Seleção Australiana

Reconquista do mundo

Parabéns a Vitor Benite pela vitória do seu time San Pablo Burgos sobre o time Argentino do Quimsa pela final da Copa Intercontinental 2021. Benite conquistou pela segunda vez o título intercontinental. A primeira vez foi em 2014 quando jogava pelo Flamengo.

Aliás…

Este jogo era o sonho de consumo dos dirigentes rubro-negros mas a derrota da Champions do ano passado estragou os planos do Flamengo.



...
Kevin Durant com cara de poucos amigos no banco enquanto aguarda o seu teste de Covid no jogo da ultima sexta-feira contra o Raptors
A seleção numero um do Draft, Anthony Edwards, não mudou a sorte do Wolves na NBA
Parece mas não é. CBB lança campeonato Brasileiro e pode confundir o torcedor com mais um campeonato de basquete em disputa no país