NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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Kobe

Macaque in the trees
Kobe Bryant (Foto: Getty Images)

Onde você estava quando o mundo parou? Eu estava em uma situação mais anti-2020 possível: em uma aglomeração em animado churrasco com amigos. Tarde quente de verão carioca e zero prenúncio dos tempos terríveis que vivemos até agora. Coronavírus ainda distante e motivos de chacotas e piadas. Toca o telefone: era o Bala, ainda na ativa pelo Uol. Não deu tempo nem de dar alô. “Rozario, o Kobe morreu”.

Aquela frase não fazia o menor sentido. Como assim, Kobe morreu? “Saiu primeiro no TMZ. Entra lá”. Entrei no famoso site e estava lá: um grave acidente de helicóptero tinha acontecido e Kobe Bryant estava entre as vítimas. Nas próximas horas fomos inundados de informações desencontradas. Especulações absurdas de quem eram as vítimas, em dado momento o ex-jogador Ricky Fox. Até que finalmente chegamos à triste confirmação: o falecimento de Kobe e sua filha, Gigi Bryant.

Li, relembrei, gravei um programa sobre o Kobe e mesmo assim não acredito que todos os posts, artigos de jornais, matérias e especiais do mundo tenham conseguido transmitir por completo o que foi Kobe. Como definir um menino de 18 anos que entra na NBA com a mentalidade de Larry Bird e o jogo de um jovem Michael Jordan? Como definir um jogador que tem a petulância de arremessar de 3 constantemente em um jogo de playoffs contra um experiente Utah Jazz? Como definir um jogador que comete erros capazes de “quebrar” qualquer ser humano, sair de um tribunal e horas depois estar em quadra contra um dos melhores atletas do mundo? Como definir um jogador que perde de forma humilhante para o maior rival e dois anos depois devolve na mesma moeda? São poucas perguntas sobre uma das personalidades mais fascinantes, enigmáticas e apaixonantes que desfilaram pelas quadras da NBA.

Dizem que através de tudo que você produziu digitalmente um supercomputador pode recriar sua mente. A famosa teoria da singularidade. Me alegra muito saber que nenhum computador do mundo pode reproduzir a genialidade de um ser humano como Kobe Bryant. Com seus atributos e defeitos superlativos Kobe nunca será definido por 140 caracteres.

Muito obrigado, Kobe.

De volta nos trilhos

Macaque in the trees
Comemoração merecida do time de basquete do Flamengo na vitória do Super8 (Foto: Liga Nacional de Basquete)

A tarefa do time de basquete do Flamengo não era fácil. Jogar a final da Copa Super8 do NBB contra o São Paulo, um time que muito o incomoda, jogadores importantes como Marquinhos e Olivinha voltando à atividade devido a infecção pelo vírus da covid-19 e uma pausa bizarra de duas semanas no calendário do começo do ano.

E foi com o dedo do técnico Gustavo DeConti que o Flamengo conseguiu mais este título para a sua vasta galeria de troféus. Vitoria no ginásio do Paulistano por 79 a 71 e vaga garantida na Champions de 2021/2022.

Gustavinho começou com um quinteto muito alto em quadra com Hettsheimer, Rafael Mineiro, Olivinha, Yago e Chuzito que não deu a menor “liga" e acabou castigado com uma corrida no placar do Tricolor Paulista de 11 a 0. Bastou a entrada de Franco Balbi para o cenário mudar rapidamente. O argentino cada vez mais ganha a confiança do torcedor rubro-negro e parece mesmo a um playoff de distância para se consolidar como um dos maiores ídolos recentes do basquete rubro-negro.

Do lado do São Paulo vemos um roteiro conhecido de quem acompanha o basquete por aqui. Quando o jogo é decisivo, Shamell é o cara. O terceiro período do jogador com 14 pontos gigantes trouxe esperança para os torcedores paulistas de levar a primeira taça do clube em um campeonato da Liga Nacional de Basquete, já que naquele momento o time tinha 10 pontos de vantagem.

O quarto período não foi para os fracos. O Flamengo se apoiou na trindade de Marquinhos-Balbi-Olivinha no ataque e na defesa parou o São Paulo. Olivinha que acabou como MVP das finais com 19 pontos e 7 rebotes parecia que nem tinha sido contaminado pelo Coronavírus, e conseguiu rebotes ofensivos importantíssimos. Mais uma decisão e mais uma excelente atuação dele. E pensar que teve gente em um passado não tão distante, em 2016, que acreditava que o jogador tinha acabado. Ledo engano.

Vale destacar a boa volta de Marquinhos. Se não teve uma atuação exuberante, 15 pontos e 5 assistências, o camisa 11 da Gávea voltou a ser decisivo depois de passar por um período difícil de lesões e uma recuperação complicada da covid-19.

Por último, temos Gustavo DeConti. No final da partida, Gustavinho comemorava como se fosse o primeiro título, tal era a sua empolgação. Ao contrário de outras partidas da temporada, o rodízio de jogadores acabou sendo baixo levando Leo Demétrio a ter apenas 11 minutos de quadras e Jhonatan com menos de 5 minutos, e nada de ter mais arremessos de 3 do que de 2 pontos. Foram 14/26 pontos convertidos de quadra e modestos (para os padrões Flamengo) 15/44 de três pontos

Mais que a vaga da Champions garantida, o título traz um imenso alívio para o técnico, jogadores e torcida que ficaram bem machucados com a derrota na Champions. Parabéns ao basquete do Flamengo!

Capitólio

A posse do novo presidente americano, Joe Biden, deve marcar a volta da NBA à Casa Branca. É notório que o ocupante anterior da Presidência Americana não tinha a melhor das relações com os maiores astros da Liga como Steph Curry e especialmente Lebron James. Assim, durante os quatro anos do mandato anterior, o campeão da NBA não apareceu em Washington.

Caso a pandemia não atrapalhe, há grande chance do campeão deste ano tirar aquela tradicional foto nos jardins da Casa Branca. E se for o Lakers de Lebron James, creio que Adam Silver não vai ficar nem um pouco chateado.

Problema, Lassie? Onde?

Chegou a vez do Atlanta e do Miami começar a liberar torcedores para assistir aos jogos da NBA em suas Arenas. O número continuará reduzido, em torno de 10% da capacidade dos ginásios, e terá protocolos como checagem da temperatura e uso obrigatório de máscaras. Nada de bebida alcoólica e somente serão aceitos pagamentos por aproximação via cartão de crédito, smartphone ou smart watch com esta funcionalidade.

Chamou muito a atenção um dos protocolos do Heat para os fãs entrarem na American Airlines Arena. Antes de entrar na Arena, os torcedores passaram por uma “revista" com cães farejadores especializados em detectar covid-19. Se o torcedor passar pelo cão e o canino se sentar, o torcedor terá sua entrada negada. Vamos ver como vai funcionar a novidade.

2 anos

Triste ler a reação das redes sociais à saída de Bruno Caboclo do Houston Rockets. Por incrível que pareça, as impressões por aqui foram bem mais acolhedoras do que nas redes gringas. Todos por aqui eram quase unânimes no pedido que o jogador fosse para algum time do NBB. Devo dizer que sou contra esta volta. Pelo bem da carreira de Caboclo e da Seleção Brasileira, ele tem que tentar se manter na NBA ou ir para uma liga com visibilidade da NBA, como a liga australiana.

Bandeira branca

Espero que a visão dos envolvidos no basquete nacional seja que a carta da Liga Nacional de basquete sobre a eleição da Confederação Brasileira de Basquete seja encarada como uma bandeira da paz e não uma tentativa de interferência. A carta na integra aqui



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Kobe Bryant
Comemoração merecida do time de basquete do Flamengo na vitória do Super8