Carlos Eduardo Novaes

Luxemburgo na berlinda

Mal no Atlético Mineiro e no Flamengo, treinador atravessa o pior momento de toda a sua carreira

|cen13ter ra.com.br

Q

uefim levouaquele técnico vitorioso e bemfalante queum dia fez do Bragantino cam- peão paulista, dirigiu a Sele- ção Brasileira, o Real Madrid e acumula o maior número de conquistas no Brasileirão? Fico imaginandoos tormen- tosos pensamentos que açoi- tam Vanderlei Luxemburgo ao deitar a cabeça no t ravesseiro na calada da noite. Que diabos está acontecendo comigo? Se- rá que não sei mais escalar um ataque? Será que me deu um branco e esqueci como ganhar os jogos? Porque, meu Deus, nadamais dácerto? Tenhosi- domuitoarrogante? OuoSe- nhor quer me castigar pela quantidadede palavrõesque digo à beira do gramado? Luxemburgo deixou o Atlé- tico MG na zona “morta”. Foi para o Flamengo, ganhou dois jogosemoito enãoconsegue arrancar o time das sombras do rebaixamento. Alguma coisa Luxemburgo precisa fazer pa- ra espantar essa urucubaca (se éurucubaca) dascostas.Pro- curartalvez peloscapuchi- nhos , um pai de santo, alguém que possa ajudá-lo a entender essa fase negra. Quem sabe se aconselharcom DorivalJú- nior,que tirouoAtlético-MG dofundo databela esábado aplicou-lhe uma goleada na Boca do Jacaré? Só falta agora o Flamengo cair para a Série B – algo que esperamos que não aconteça– paraLuxemburgo considerar 2010como opior ano de sua carreira. Rolando na cama, sem dor- mir, o confiante Luxemburgo pode sempre alegar que o ti- me do Flamengo é muito fra- co(o ataquenão marcahá três partidas). Mas foi com es- se mesmo time – duas ou três alterações – que o Flamengo, dirigido por Rogério Louren- ço,empatou d e0a0 como Atlético-MG de Luxemburgo no primeiro turno. Pergunta: foi o Atléticoque melhorou agorasem Luxemburgoouo Flamengoque pioroucom L u x e m b u rg o ? Lembra desse jogo do turno? Foia estreiadeDiogo. OFla- mengo estava em10º com 21 pontos (o Fluminense já tinha 36)eo Atléticoafundadoem 18º, com 14 pontos. Depois que Luxemburgo saiu do Atlético e foi dar um jeito no Flamengo, a diferença entreos dois clu- bes reduziu-se para um ponti- nho. Recordonaquele diaa torcida do Flamengo, aos ber- ros, exigindo a saída de Rogé- rio Lourenço.Muitos ru- bro-negros gritavampedindo a volta de Luxemburgo. Tanto pediram quetiveram Luxem- burgo de volta. E agora? Estão satisfeitos? Ou vão pedir o re- torno de Rogério Lourenço? No jogo desábado, com Lu- xemburgo do outro lado da cer- ca, a recepção dos torcedores do Atlético ao treinador não foi na- da parecida comas saudosas evocações dos rubro-negros na partida doturno. Osmineiros xingaram-no de mercenário e outras“cositas más”.Dizem que após oapito final alguns rubro-negros disfarçados fo- ram engrossar coro. Antes do inícioda partida,váriosjoga- dores do Atlético se dirigiram a Luxemburgono bancodoFla- mengo. Parece que a maioria foi cumprimentá-lo, mas houve jo- gador que se aproximou do seu ouvido e cochichou: “Hoje, o se- nhor vai ver que não foi por nos- sa culpa que o Atlético foi parar na zonade rebaixamento.Pra- zer em vê-lo”. RenanOliveira fezdoisgo- laços e foi o nome do jogo. Pois creia que Luxemburgo em sua passagem peloAtlético dis- pensou o futebol de Renan (transferidopara oVitória). Ou o treinador desaprendeu tudo o que sabia – os médicos dizem que isso é possível – ou seu inferno astral segue inter- minável. O ano de 2010 é para Luxemburgo esquecer.

COBRANÇA

– Luxemburgo está longe de ser aquele técnico vitoriosoCharles Silva Duarte / O Tempo