Luxemburgo, do inferno atleticano ao céu rubro-negro

Em nove meses no Galo, V anderlei só colecionou desilusões. Em três jogos no Fla, está invicto

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m 29 r odadas, V ander lei Luxembur go somou apenas 21 pontos (dos 87 pos - sív eis) par a o Atlético Mineir o . F oi demitido depois de per der par a o Flumi - nense por 5 a 1 e deixou o clube na z ona de r e baixamento . Em no v e meses no Atlético , V ander lei só pariu desilusões. F oi par a o Flamengo – um caótico Flamengo –, con - quistou sete dos no v e pontos possív eis, está in victo e le v ou seu time a uma vitória in - contestáv el, sábado passado , contr a o In - ternacional. P er gunta: o que f az com que um tr einador vá do inferno ao céu sem escalas ao passar de um clube par a outr o? A r esposta estaria na ponta da língua caso o Atlético ficasse na Eur opa (como o Real Ma - drid que V ander lei diri - giu). Difer enças de cultu - r as, hábitos e costumes afetam o comportamento de pr ofissionais tupini - quins – técnicos ou jo ga - dor es – em terr as estr an - geir as. Mas o Atlético fica ali na esquina, em Belo Horiz onte. Seus jo gador es usam a mes - ma moeda, f alam o mesmo idioma e cantam o mesmo Hino Nacional que os do Flamengo . São ambos clubes de massa, com g r andes tor cidas, elencos semelhantes, e o Atlético ainda dispõe de uma estrutur a melhor do que a do time carioca. Como se não bastasse, no Atlético V ander lei r ece beu carta br anca, dispensou jo gador es, contr atou outr os, im - pôs sua comissão técnica. T inha todas as condições par a conduzir o clube mineir o a uma bela campanha. No entanto , acum ulou mais derr otas do que todos os seus ad v er - sários no Br asileirão . Já no Flamengo , pegou o bonde andando , encontr ou um time esf acelado , uma admi - nistr ação em crise e, em apenas três par - tidas, botou o Flamengo par a jo gar um fu - te bol que ainda não ha via e xibido aos seus tor cedor es neste campeonato . Contr a o In - ter , o Flamengo par ecia um time encantado , tocado por uma v arinha de condão , bem distribuído em campo , or ganizado na de - fesa, sem dar c hances ao campeão da Li - bertador es que, apesar de ter a bola por mais tempo nos pés, só f oi ameaçar o goleir o Mar celo Lomba aos 42 min utos do segundo tempo . Quer uma pr o v a da satisf ação da tor cida com a atuação do time? Ninguém lembr ou de g ritar o nome de P etk o vic. Diga-me, por f a v or , o que le v a um tr ei - nador a um longo desastr e em um clube e a um imediato sucesso em outr o? Sa be-se que V ander lei é tor cedor con - fesso do Flamengo , mas suponho que um pr ofis - sional tr a balhe com a mesma aplicação em qualquer clube. Será por - que BH não tem pr aia? Ou os jo gador es do Atlético não gosta v am de V ander lei e fiz er am cor po mole par a tirá-lo do clube? Os psicanalistas costumam r ecusar pa- cientes ao sentir em que não há “liga” entr e os dois. T erá f altado “liga” no en- contr o de V ander lei com o g rupo do Atlé- tico? Alguma coisa pr ecisa e xplicar por que V ander lei em no v e meses não con- seguiu f az er o Atlético jo gar e em 15 dias arrumou o time do Flamengo . P ar a mim, esse é u m dos maior es mistérios do fu- te bol, e cr eio que somente o tr einador poderá tentar esclar ecê-lo . E le, porém, não v ai a brir o bico . Assim como r etornou ao Flamengo pela ter ceir a v ez, amanhã ou depois poderá estar v oltando ao Atlético . V ander lei sa be como é a vida de técnico de fute bol no Br asil.