Marcos Caetano

-->Mar cos Caetanomar cos.caetanoter ra.com.br-->Luxa na encruzilhada-->Conseguir opiniões ponderadas da impr ensa nunca foi tar efa fácil para Luxembur go-->C-->omo escr e vi aqui há m uito tempo , V ander lei Luxem - bur go está longe de ser um dos queridinhos da mídia. Muito pelo contrário . Em que pese o r o - sário de títulos conquistados nos mais difer entes âmbitos e com ti - mes de todo tipo de estrutur a (do modesto Br agantino ao ana boliza - do P almeir as do início dos anos 90, culminando com um quinto título nacional à fr ente do Santos), con - seguir opiniões ponder adas da im - pr ensa n unca f oi tar ef a fácil par a o técnico , que aca ba de per der o empr ego – com justiça, diga-se – à fr ente do combalido Atlético-MG. P assados tantos anos, essa a bso - luta a v er são por boa parte da crô - nica esporti v a contin ua me par e - cendo e xager ada. Será por causa de seu temper amento difícil? P ode ser , mas, con v enhamos, f or a um ou outr o tr einador mais polido , como o gentleman Car los Alberto P ar - r eir a e o solícito Mano Menez es, quantos colegas de pr ofissão de V ander lei são pr opriamente sim - páticos? Não pode ser só por isso . Ele te v e pr oblemas com o F isco , apr essam-se em lembr ar seus de - tr ator es. É v er dade. Mas aí eu r e - cor do um sem-númer o de cr aques de difer entes modalidades espor - ti v as, alguns consider ados acima do bem e do mal, que também já vi v er am encr encas com as auto - ridades fiscais. Não vi ninguém sendo tão odiado por isso . Ac ho que nem pr eciso r ecor dar o triste episódio do f amoso v oo da m uam - ba, no qual vários jo gador es que conquistar am a Copa de 1994 tr ou - xer am toneladas de mer cadorias passív eis de tributação e, depois de uma queda de br aço com as au - toridades, passar am pela alfânde - ga sem sofr er r e vista. Ninguém pr egou os tetr acampeões n uma cruz, e eles puder am contin uar suas carr eir as com belas cozinhas e equipamentos de ginástica de Pri - meir o Mundo , mas sem a pec ha de sonegador es. Sobr e Luxembur go , o desliz e pesa até hoje. Alguns r ecor dam que o técnico pr otagoniz ou um incidente de as - sédio se xual. Lamentáv el, sem dú - vida. Mas, cá entr e nós, quantas histórias en v olv endo jo gador es, m ulher es e concentr ações já nos f or am contadas? P or que será que quando um cr aque assedia uma moça isso é usualmente toler ado e tr atado até com certa tolerância, c hega a ser apontada como um aspecto pitor esco do caráter e até como um “atestado de genialida - de”. No caso de V ander lei, a ar - r o gância é crime inafiançáv el, uma etiqueta que lhe f oi pespegada à testa até a consumação dos tem - pos. As opiniões de v eriam ser iguais par a todos. Sonegação , as - sédio e arr o gância não podem ser crimes par a uns e apenas desliz es par a outr os. É tanto ódio contr a o “pr ofe xô” que eu já c heguei a ac har que o m ulato de origem hu - milde, que ganha milhões como tr einador e se atr e v e a usar ternos à beir a dos g r amados, sofria algum tipo de pr econceito . A no v a moda é v aticinar que a carr eir a de Luxa está encerr ada. Técnico ultr apassado , e x-tr eina - dor em ati vidade, pr eguiçoso , aco - modado – é o que tenho ouvido por aí. Atr e v o-me a discor dar . Não por - que seja admir ador da figur a ou por que tenha pr ocur ação par a de - fendê-la. Mas por que sei r econhe - cer talento , e aquele sujeito , em aspectos táticos, é indiscuti v el - mente talentoso . Ninguém é o maior v encedor de títulos br asi - leir os por acaso . Da mesma ma - neir a que acr edito que o Atléti - co-MG escapará do r e baixamento , penso que Luxembur go poderá perfeitamente r etomar sua tr aje - tória v encedor a em outr o clube. Condições par a isso , ele tem. M as, par a c hegar lá, pr ecisará r e v er vá - rios de seus conceitos: do hábito de tr a balhar sempr e com m uitas con - tr atações e estrutur a inc hada até a importância do e xer cício cotidiano da humildade. É possív el que te - nha sido apenas jo go de cena, mas o ser eno depoimento lo go após ter sido demitido , na última quinta, par eceu-me um bom começo . do tipo “esse gar oto é f o go”? P or que jo gador que canta a m ulhe - r ada é c hamado de pegador , en - quanto Luxembur go f oi tr atado co - mo um tar ado perigoso? Estou lon - ge de simpatizar com ele, mas ac ho que há certo di v ertimento mór - bido da mídia quando o polêmico técnico sofr e um r e vés. V ander lei é arr o gante. V er dade. Muito arr o gante. Mas quantas pes - soas de destaque no Br asil, de jor - nalistas a políticos, de dirigentes esporti v os a escritor es, de jo ga - dor es de fute bol a sociólo gos cul - ti v am semelhante car acterística? No caso de m uitos, a arr o gância