"Trabalham juntos para me isolar", diz Ciro Gomes

Candidato do PDT afirmou que ficou surpreso com a postura do PT com relação à sua candidatura

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou na quarta-feira (1º) que ficou surpreso com a postura do PT com relação à sua candidatura, já que foi  "extremamente leal" ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PT entrou numa que eu tenho que respeitar, tenho que ter paciência. Mas, francamente, eu não sei o que eu fiz para merecer esse tipo de conduta, de desapreço e de hostilidade. Porque, se nós olharmos, eu até pago um certo preço, eu apoiei Lula todos os dias sem faltar nenhum ao longo dos últimos 16 anos", afirmou o candidato em entrevista à GloboNews.

O PT decidiu apoiar os candidatos do PSB aos governos de Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco em troca da neutralidade da legenda na eleição. Por sua vez, Ciro buscava o apoio do PSB na campanha. Ciro afirmou ainda que seria um "cabra marcado para morrer". 

O candidato do PDT afirmou, durante a entrevista, que o Brasil vive um momento de "anarquia institucional". Para ele, integrantes do MP têm levado pessoas à "execração pública" e, por isso, se eleito, "organizará a casa" e fará com que os poderes "voltem para a caixinha".

"Organizar a casa significa restaurar a funcionalidade dos poderes do Estado brasileiro. Voltar para a caixinha é a metáfora de cada um voltar para as suas atribuições institucionais", afirmou.

Ciro disse ainda que defende que seja corrigida "a estupidez brasileira de dar quatro graus de jurisdição a crimes comuns". "Olha a aberração que estamos produzindo no Brasil. [...] Sou a favor de que, ao segundo grau de jurisdição, encerrou-se o assunto para crime comum. Hoje temos quatro graus, aí fazemos puxadinhos malucos".

Sobre a redução da maioridade penal, o candidato destacou que se um menor comete um crime, ele é segregado por até três anos. "Na hora que você reduzir a maioridade penal, o narcotráfico vai buscar criança de 12. Reduziu para 12, ele vai buscar a de 10 anos".

Sobre o acordo da Embraer com a Boeing, Ciro voltou a afirmar que ele será desfeito. "A Boeing está fazendo o serviço sujo do Mister [Donald] Trump [presidente dos EUA]. [...] A Embraer, com a Força Aérea, desenvolveu o KC-390, que tem fila de compra de US$ 20 bilhões. Por isso a Boeing tá comprando: para destruir a Embraer. Estão comprando para fechar a Embraer". Ele destacou que apresentará um plano de privatização, mas dele será excluído o petróleo.