A confiança de Meirelles: ex-ministro diz que pode ser elo de reconstrução do país

A palavra “confiança” figurou como fio condutor do discurso do candidato a presidente da República Henrique Meirelles, ontem, na convenção nacional do MDB. Meirelles disse que a sua candidatura tem o objetivo de “resgatar o espírito de confiança do Brasil”.  E citou a mesma palavra 19 vezes. 

Ele começou o discurso agradecendo “a confiança” dos convencionais, que sacramentaram a candidatura com 85% de votos favoráveis. E disse que a sua candidatura representa um “pacto pela confiança”.  Dos 419 votos, Meirelles conquistou 357. Desde 1994, com Orestes Quércia, o MDB não lançava candidatura própria.

Meirelles, que até abril compunha o atual governo como ministro da Fazenda e é responsabilizado por seus adversários pela recessão e pelas medidas antipopulares da gestão de Temer, chegou a indagar “como e quem deve e tem condições e a capacidade para resgatar a confiança no Brasil?”. Prosseguiu com críticas a alguns dos seus concorrentes, em forma de uma nova pergunta: “O Brasil precisa de um messias, que veste-se com uniforme de salvador da pátria?”, respondendo, dessa vez: “Não. Nem de um líder destemperado, tratando o país como se fosse seu latifúndio”.

Com o lema “Chamem o Meirelles”, o candidato aproveita, em sua campanha, o fato de ter servido tanto ao governo Lula quanto ao governo Temer. Ele voltou a dizer, como tem feito em comícios, que se deve a ele, enquanto presidente do Banco Central, o bom momento econômico que o Brasil viveu na época do governo petista. E disse que foi chamado novamente pelo presidente Michel Temer para enfrentar a crise econômica que se iniciava há dois anos e ainda perdura. “Me coloco à disposição do Brasil para ser o elo de reconstrução do espírito de confiança que deve contagiar todos nós”.

Foi com Temer que Meirelles chegou à convenção do partido. Com um índice de rejeição acima dos 90%, o presidente disse, em seu discurso, que Meirelles concorre “para levar adiante as grandes reformas” de seu governo.

Estranho no ninho emedebista, o candidato sofreu a resistência de caciques importantes e veteranos da legenda, como os senadores Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR), que prometem não subir em palanques com o correligionário. “A nossa economia não consegue se levantar. Chamar o Meirelles para que? Vai sobrecarregar as eleições”, comentou Renan a jornalistas, em alusão ao slogan do presidenciável. O alagoano, que preparava discurso para falar na convenção, disse que não usou porque “não havia plateia”.

De fato, somente ao final da convenção, perto do anuncio do resultado, lideranças do partido sentaram-se. Na abertura do evento, o senador Romero Jucá (RR), presidente do partido, falou para cadeiras vazias. Ele foi o segundo a registrar o voto. O primeiro foi Renan, contrário à candidatura.          

“Havia uma corrente que gostaria que o MDB não tivesse candidato. Mas o maior partido do Brasil e com a história do MDB, não poderia se acovardar e deixar o rumo incerto para o país trilhar”, disse Jucá, principal advogado da candidatura, ao proclamar a vitória da corrente favorável a Meirelles.

Isolado dos demais partidos políticos, o MDB não terá ônus com o lançamento do nome de Meirelles. O banqueiro vai custear os R$ 70 milhões que a legislação permite serem gastos em sua campanha, liberando para o partido os recursos oriundos do Fundo Eleitoral.