59% dos eleitores estão indecisos ou votam nulo

Pesquisa CNI/Ibope mostra nível inédito de descrença no voto

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita em parceria com o Ibope, divulgada ontem, mostra que 59% dos brasileiros não sabem em quem votar ou vão anular o voto nas eleições para presidente da República. É o maior índice de descrença, comparando-se às últimas quatro eleições. Na avaliação do Ibope, o resultado reflete a insatisfação com a corrupção e o descrédito com a classe política. 

Sem apresentar uma lista de candidatos, 31% dos entrevistados disseram que vão votar em branco e 28% não souberam ou não quiseram dizer em que candidato votariam, o que indica indecisão. Apresentada uma lista de candidatos, 59% fizeram uma escolha, mas, dentro desse grupo, apenas 27% afirmam que não vão mudar de opção. 

“O eleitor não encontrou aquele candidato com que ele sonha. A decisão vai acontecer muito mais próxima da eleição que nas eleições anteriores. A gente percebe que a maioria dos eleitores não conhece os candidatos e suas propostas. Até entre os que já escolheram candidatos, ainda há alguma indecisão”, afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Em 2002 e 2006, os resultados também mostraram um índice alto de indecisão – 44% e 46%, respectivamente –, mas não de votos nulos. A incerteza do mercado quanto à vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e a reeleição do petista em meio ao escândalo do mensalão, em 2006, explicam, em parte, esses números.  

O Ibope  ouviu 2 mil pessoas entre os dias 21 e 24 de junho, em todo o país. Em um cenário com Lula, o ex-presidente lidera com 33% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro, do PSL (15%), e Marina Silva, da Rede (7%). Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) aparecem com 4% das intenções. Sem Lula na disputa, os melhores colocados são: Bolsonaro (17%), Marina (13%), Ciro (8%) e Alckmin (6%). 

Entre os que dizem que não vão mudar o voto, em cenário sem Lula, 34% têm como candidato Bolsonaro. O percentual de convictos cai para 26% no caso de Ciro, 23% entre os eleitores de Alckmin e 22% dos eleitores da Marina.  

Fontes de informação

Apesar do aumento da influência das redes sociais nas eleições deste ano, as fontes tradicionais de notícias são as mais utilizadas pelo eleitor na obtenção de informações sobre os candidatos e suas propostas. Do total, 84% buscam se informar pela TV, rádio, jornais e revistas, além de sites de notícias, enquanto 26% vão utilizar as redes sociais, quando consideradas duas ou mais opções de fontes. Desses entrevistados, 25% admitiram que raramente ou nunca verificam a veracidade das notícias; 46% sempre verificam; e 29% verificam às vezes. Só 5% dos brasileiros pretendem utilizar as redes sociais como fonte exclusiva.

São apontados ainda como fonte de informação as conversas com parentes e amigos (10%), reuniões na igreja (3%), na associação de moradores (3%) e em sindicatos e associações profissionais (2%). Apenas 6% dos eleitores disseram que vão se informar sobre os candidatos pela propaganda eleitoral e propaganda de partidos políticos.