PSB fica neutro na sucessão

Pelo acordo firmado com PT, os diretórios socialistas estão liberados para alianças regionais

O PT anunciou, ontem, o apoio à reeleição do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e a retirada da candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo do estado. A decisão foi tomada em reunião da Executiva Nacional, realizada em Brasília, em troca do compromisso do PSB de optar pela neutralidade na sucessão presidencial, garantindo assim a liberação dos diretórios regionais e abrindo caminho para adesões à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Maior beneficiado pelo acordo, Câmara terá em sua chapa, o senador Humberto Costa (PT) como candidato à reeleição e o deputado Jarbas Vasconcelos (MDB) concorrerá à segunda vaga ao Senado.

Com o PSB de Pernambuco, que já havia decidido apoiar Lula, a aliança com o PT pode chegar a 14 estados, incluindo Minas Gerais, onde o ex-prefeito Márcio Lacerda era cotado ao governo estadual, mas também abrirá mão da disputa em favor da candidatura à reeleição do governador Fernando Pimentel (PT), outro grande favorecido por este acordo. Em nota, a assessoria de campanha de Pimentel afirmou que o governador foi “o grande articulador deste acordo (...)que negociou nacionalmente esta aliança”. “Conhecido como grande articulador político, Fernando Pimentel fez jus à política mineira e inicia o mês de agosto na campanha à reeleição com muita força política”, completa a nota.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Marília Arraes chamou de boato a notícia da decisão da Executiva do PT. “Nós não vamos deixar que a esperança do povo de Pernambuco seja usada como moeda de troca. Nós vamos continuar a defender que aqui em Pernambuco que o projeto do presidente Lula será representado por nós”, afirmou. Ao convocar os delegados do PT Pernambuco para a apoiar sua candidatura, a vereadora disse que a notícia do acordo “é mais um grande ataque especulativo”.

Essa costura impõe uma derrota ao presidenciável do PDT, Ciro Gomes, que tentava uma aliança formal com o PSB e agora irá contar com o apoio de apenas parte dos diretórios regionais, como o Distrito Federal e o Espírito Santo. A posição do partido só será confirmada na convenção nacional que acontecerá no próximo domingo, dia 5. O acerto político entre PT e PSB pela neutralidade acaba também por beneficiar o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que ficará livre para apoiar a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao Palácio do Planalto.

Na resolução divulgada ontem, o PT ainda anunciou que vai apoiar os candidatos do PSB aos governos dos estados do Amazonas, David Almeida, do Amapá, senador João Capiberibe, e da Paraíba, João Azevedo. Será ainda formalizado um convite ao PROS para integrar a coligação nacional em torno da candidatura Lula. “Com o objetivo de fortalecer a unidade do campo popular em torno da candidatura Lula, e na perspectiva de construir as condições políticas para que uma aliança progressista governe o país a partir de janeiro de 2019, a direção do PT desenvolveu intenso diálogo com outros partidos, prioritariamente PSB e PCdoB, com os quais temos vínculos históricos”. Nestas eleições, os PT, PSB e PCdoB estão juntos na Bahia, Acre, Ceará e Maranhão. “O PT decide incorporar-se às campanhas em que esses aliados históricos disputam governos estaduais, criando as condições para ampliar nacionalmente o apoio à candidatura Lula”, diz a nota.

Condenado em 2ª instância no caso tríplex de Guarujá e preso há mais de 100 dias, o ex-presidente pode ter o registro impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta da Lei da Ficha Limpa, mas a estratégia petista é manter a candidatura de Lula até o prazo limite para substituir candidatos, dia 17 de setembro previsto na legislação eleitoral. O PT pretende inclusive recorrer da decisão junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda irá julgar o pedido de efeito suspensivo da condenação do ex-presidente.