Centrão escolhe um vice para Alckmin

Sem Josué Gomes, Aldo Rebelo e Mendonça Filho são as opções

O bloco partidário formado pelo PP, PR, PRB, Democratas e Solidariedade, autointitulado Centro Democrático, oficializa nesta quinta-feira (26) o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin à Presidência da República. O bloco deve divulgar também a indicação para compor a chapa do candidato a vice-presidente. Mas, segundo uma fonte do PSDB, ainda há uma operação em marcha para tentar convencer o empresário Josué Gomes a aceitar o convite para a vaga de vice. Ontem, a “Folha de S.Paulo” publicou artigo de Josué com elogios á candidatura de Alckmin.

Caso não vingue o Plano A (imagem usada pelos tucanos), os partido do Centrão têm outros nomes à disposição do PSDB. O mais cotado, no momento, é o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo. Indicado pelo Solidariedade, Rebelo vinha sendo colocado como pré-candidato a presidente pelo partido de Paulinho da Força. Foi a carta oferecida pelo PSDB para que o Solidariedade mantivesse o apoio mesmo sem que o programa de governo tucano fosse modificado. Paulinho estava inclinado a apoiar o pedetista Ciro Gomes por discordar das políticas voltadas ao emprego no programa de Alckmin. 

“Aldo é um excelente quadro. Foi deputado por muitos anos, tem grande experiência no Executivo”, diz o deputado federal Aureo Ribeiro (SD-RJ), ao citar o preparo do ex-ministro. Mas é precisamente a experiência como ministro que deixa o tucanato com um pé atrás com a sua indicação, pela forte identificação com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. De 2004 a 2016 – todo o período dos governos petistas – ele foi ministro das Relações Institucionais, do Esporte, da Ciência e Tecnologia e da Defesa. Apenas no intervalo entre julho de 2005 e janeiro de 2007 atuou como parlamentar, ocupando a presidência da Câmara.

Aldo construiu a sua carreira política no PCdoB, onde atuou por 40 anos, até migrar, no ano passado, para o PSB. Em abril deste ano entrou para o Solidariedade, mas garante que o espírito comunista permanece. 

O segundo nome mais cogitado é do ex-ministro da Educação do governo Michel Temer, Mendonça Filho (PE). Indicado pelo Democratas, ele é a pessoa que mais trabalhou para que o correligionário Rodrigo Maia (DEM-RJ) presidente da Câmara dos Deputados, desistisse de concorrer à Presidência da República para fazer a aliança com os tucanos. 

Mendonça Filho seria o vice da preferência de Alckmin, pois sua presença na chapa atrairia votos no Nordeste, onde o ex-governador paulista não é bem avaliado. Rebelo também é nordestino, de Alagoas, mas fez a carreira em São Paulo. Mendonça, no entanto, já lançou sua candidatura ao Senado e vê mais chance de sair vitorioso nesta condição. Além disso, os demais partidos do chamado Centrão, não aceitam que o Democratas leve dois postos importantes nas negociações. Além da vice-presidência, caso Alckmin opte por ele, o partido ficaria com a presidência da Câmara dos Deputados, cargo prometido a Rodrigo Maia para que desistisse de lançar-se candidato à Presidência da República.