Aécio e Marina disputam 2° turno: empate técnico pode mudar as eleições

As últimas pesquisas realizadas antes do primeiro turno das eleições indicaram que Aécio conseguiu passar Marina. O Datafolha aponta que, entre os votos válidos, a pessebista cai de 27% para 24%, e Aécio sobe de 24% dos votos válidos para 26%. O Ibope, por sua vez, aponta para 24% para Marina e 27% para Aécio. O CNT/MDA apresenta o mesmo cenário. A margem de erro é de 2% para cima ou para baixo o que significa que eles estão, tecnicamente, empatados. 

Dilma Rousseff (PT) tem 44% dos votos válidos para o Datafolha e 46% para o Ibope. Um segundo turno é quase certo e quem Dilma vai enfrentar, cada vez mais incerto. Nas últimas semanas, o crescimento de Aécio foi significativo, assim como a queda de Marina, um encaixe muito bom para o tucano e preocupante para a "mística verde". 

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>> Ibope - votos válidos: Dilma tem 46%, Aécio, 27%, e Marina, 24%

>> Datafolha - votos válidos: Dilma tem 44%, Aécio, 26%, e Marina, 24% 

Logo depois do falecimento do candidato original do PSB, Eduardo Campos, que morreu num acidente de avião, Marina chegou a ficar dez pontos à frente de Aécio.  Porém, vem sendo acusada de falta de coerência em seus discursos e caindo na corrida eleitoral. Ainda antes da sua entrada como vice de Campos protagonizou uma história complicada dentro do PSB. Primeiramente, tentava criar seu próprio partido, a Rede, para concorrer à presidência. Como não conseguiu, se filiou ao PSB, onde seu reconhecimento nacional, maior até do que o de Campos, gerou especulações se seria realmente Campos o candidato da legenda.

A sua própria filiação ao PSB surpreendeu, graças ao discurso ambiental de Marina apoiou um partido que tem alianças com a bancada ruralista e com o agronegócio. A escolha do vice de Marina, Beto Albuquerque, após a morte de Campos, teve esse mesmo efeito de surpresa.

Em 2004, ele esteve envolvido com o desenvolvimento da Medida Provisória que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil. Marina era ministra do Meio Ambiente e foi contra. Em 2010, Albuquerque teve boa parte da campanha financiada por doadores de segmentos rejeitados por Marina como empresas de bebidas alcoólicas, Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições e companhias ligadas ao agronegócio.

As acusações de que Marina não é coerente aumentou ainda mais depois da apresentação do seu plano de governo. As propostas de apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e criminalização da homofobia foram retiradas. O partido alegou um “erro”. Aécio chegou a chamar Marina de “metamorfose ambulante” e Dilma a comparou a Jânio Quadros.

O diretor do Datatafolha, Mauro Paulina, acredita que essa decaída de Marina tem a ver com a propaganda massiva de desconstrução da sua figura pública. Ele ainda afirmou, em entrevista, que os votos dela já foram para Dilma, mas que agora migram mais para Aécio.

Apesar do grande crescimento de Aécio, ele parece vir mais de uma decepção com Marina do que com um crescimento real de apoio. Aécio, apesar de crescer, tem tantos problemas de coerência quanto Marina. A construção de uma pista de pouso num terreno de familiares de Aécio durante seu governo em Minas foi negativa para a imagem do político. Além disso, ele também tem problema com empresas de internet e jornalistas no quesito liberdade de expressão.

Ele processou o Google para remover resultados de buscas que associam ele a casos de corrupção e o suposto envolvimento com entorpecentes.  Sua imagem vem sendo associada à cocaína, especialmente depois do caso do helicóptero com um carregamento da droga, encontrado próximo à pista de pouso no terreno de sua família. O helicóptero pertence a uma empresa do aliado político do candidato, o senador Zezé Perrella.

Perrella foi derrotado na disputa ao Senado em 2002 e recusou convite do então governador Aécio Neves para ocupar o cargo de presidente da Loteria Mineira. Aécio apoiou Perrella quando Itamar Franco (PPS) morreu, deixando uma vaga no Senado.

Aécio foi governador de Minas por sete anos. Se elegeu em 2003 e 2007, saindo em 2010 para virar senador. Hoje, Minas tem o menor índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal da região sudeste.

A disputa entre Marina e Aécio está mais acirrada nesta última semana. Especialmente no último debate antes das eleições, que aconteceu logo depois da última pesquisa, na última quinta. Este foi o mais incendiário, especialmente entre eles dois. Dilma acabou focando em Aécio, se voltando para a rixa histórica entre PT e PSDB.

As acusações, muitas vezes, tiveram tom pessoal e menos crítico. Aécio acusou Marina de ficar calada durante o Mensalão, quando ela fazia parte do governo. Marina relembrou o “Mensalão Tucano”, referindo-se à denúncia de compra de votos durante aprovação da emenda que tornou a reeleição possível, no governo de Fernando Henrique Cardoso como presidente da República.

O que esperar do possível segundo turno

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (4), no teste de segundo turno, Dilma vence tanto Aécio quanto Marina. Tem 53% contra 47% de Aécio nos votos válidos. Contra a pessebista, vence por dez pontos, de 55% a 47%.

Considerando os votos totais, a candidata do PT tem 49% e a do PSB, 39%. Na anterior, Dilma tinha 48% e Marina, 41%. Na simulação de segundo turno entre Dilma e Aécio, a petista vence por 48% a 42%, com o tucano crescendo um ponto percentual em relação a pesquisa anterior.