Os 'cabeças' das campanhas eleitorais na reta final do primeiro turno

Coordenadores e marqueteiros dos candidatos ao governo do Rio traçam as estratégias finais

Longe dos olhares dos telespectadores, quando entram os comerciais durante os debates eleitorais na TV, é a hora deles aparecerem em cena: os coordenadores das campanhas. Assim como um preparador físico nas competições, no momento em que as câmeras desligam, o coordenador corre em direção ao seu candidato para, em poucos minutos, orientá-lo no confronto e tentar melhorar o seu desempenho. 

Na disputa pela sucessão ao governo do Rio de Janeiro, a missão árdua e preciosa está com um peso maior para quem orienta os cinco candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto: Luiz Fernando Pezão (PMDB), Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB), Lindberg Farias (PT) e Tarcísio Motta (PSOL). Na reta final das campanhas eleitorais - a seis dias da votação nas urnas -, os coordenadores das principais campanhas traçam as suas estratégias para tentar conquistar de vez a confiança dos eleitores e garantir a ida para o segundo turno. Os resultados das pesquisas também influenciam diretamente nas decisões. 

O engenheiro Fernando Peregrino, que também já concorreu ao governo do estado pelo PR nas eleições de 2010, tem agora a incumbência de levar o seu pupilo Anthony Garotinho ao segundo turno. Questionado sobre as estratégias que devem ser adotadas para que o seu candidato tenha bom desempenho nas urnas, Peregrino foi firme na resposta: "comunidade, comunidade, comunidade". Para Peregrino, as carreatas nas comunidades cariocas têm dado excelentes resultados e devem ser intensificadas nesta última semana de campanha. 

Peregrino avaliou que a visita feita por Garotinho ao Complexo da Maré e as comunidade de Acari e Cidade Nova, na Zona Norte, nesta sexta (26), serviu como termômetro para comprovar a eficácia da estratégia. "Foi uma coisa muito positiva [as carreatas nessas comunidades]. Vimos que este é o caminho mesmo", disse. Peregrino está otimista e já tem certeza do segundo turno para Garotinho, mesmo após a divulgação da última pesquisa Datafolha, que aponta para uma queda de dois pontos percentuais para Anthony Garotinho, em relação ao estudo anterior. 

"Essa pesquisa tem discrepância demais, não se explica que fenômenos são esses que o Pezão levantasse tanto. Se tem crise na polícia militar, se a população está reclamando de vários serviços que estão ruins, como é que ele cresce tanto? Alguma coisa por detrás dos números que talvez esteja artificializando uma subida dele", comentou Peregrino. Segundo ele, o contato com eleitores nas ruas tem aumentado as suspeitas acerca dos resultados das pesquisas, já que a recepção do candidato tem sido excelente em diversos pontos da cidade. "Eu tô andando na rua e não vejo nada disso [se referindo ao crescimento do governador Pezão nas pesquisas]. Nem empate dele com Garotinho e muito menos ele acima do Garotinho. O ponto que eles pegam esses entrevistados e outros fatores, tudo isso pode sofrer manipulação", destacou.

Após o debate na TV Record Rio, na noite desta sexta-feira (26), Peregrino avaliou que Garotinho conseguiu alcançar a meta traçada por ele para os debates. "Ele apresentou a sua proposta para os policiais militares, em relação à proposta salarial para a PEC 300, dirigiu-se ao cidadão que se desloca na região metropolitana e está encontrando muitas dificuldades. Ele fez as propostas certas. Foi duro em relação ao candidato Pezão, tá certo, foi isso que eu orientei. Se deu bem, dou nota 9,9", disse o coordenador de campanha.

Na disputa ao lado do candidato pelo PRB, Marcelo Crivella, o jornalista Lula Vieira afirma ter muita esperança de chegar ao segundo turno. "O voto consciente neste momento, de quem deseja tirar o Pezão do governo, é votar no Crivella. As pesquisas mostram que ele tem no segundo turno maior chances de vitória. Acho que isso é muito favorável", diz Lula. O orientador de Crivella acha que não há pontos passíveis de mudança na campanha nesta semana decisiva. "Agora estamos repetindo os grandes temas, da ficha limpa, de um candidato que nunca esteve envolvido em escândalo, que tem experiência e fez um belo trabalho no ministério e nem teve desvios éticos. Temos certeza que podemos fazer o eleitor se sentir garantido", analisou Lula.

Lula contou que, durante os intervalos dos blocos nos debates, ele apenas dá dicas de postura ao seu candidato. "Hoje [no debate da TV Record] ele estava articulando muito as mãos, eu sinalizei. Mas na maior parte do tempo, vou lá nos intervalos apenas para dar o apoio moral. Nesta hora, não pode tirar a estabilidade emocional do candidato, apenas fazer alguns lembretes e dizer 'amigão estou aqui'", revelou Lula. O jornalista confessou que a sua admiração  pelo candidato cresceu com o convívio nessa eleição. 

O deputado Marcelo Freixo, que aponta os melhores caminhos para o candidato do PSOL, Tarcísio Motta, considera vitorioso o trabalho desenvolvido por eles nessa eleição, mesmo estando com apenas 2% das intenções de voto nas pesquisas. "A campanha do Tarcísio é pedagógica, que tem muito envolvimento da militância e da juventude, com força nas redes sociais e muita criatividade. Ela deu certo até agora e não tem motivos para mudar nada. O Tarcísio tem se saído muito bem nos debates, muito bem preparado. E encantando um setor que estava desencantado, devolvendo a política para as ruas, devolvendo a política para a juventude. Foi a campanha que mais contribuiu para a democracia no Rio. E vamos continuar na mesma linha que mantivemos até agora", afirmou Freixo.

Traçando um perfil do desempenho de Tarcísio Motta nos debates, Freixo não tem dúvidas de que o candidato tem o melhor discurso e a melhor oratória. "A sala de aula ajuda muito o Tarcísio a se expressar. Na hora [das orientações durante os intervalos dos debates] é mais um detalhe, uma postura, mais o direcionamento de uma pergunta. Eu já passei por isso, tive uma eleição para prefeito e muitos debates. E o Tarcísio é um grande amigo, temos muita confiança um no outro, nessa hora do debate isso ajuda", disse o deputado. 

Freixo destacou que a campanha do PSOL para o governo do estado foi diferente de todos os outros partidos, pois teve o seu ponto de apoio nas redes sociais, uma vez que o partido negou qualquer financiamento da iniciativa privada. O deputado estima que nas urnas Tarcísio alcance 4% dos votos válidos.