Russomanno: divulgar vídeos de Carnaval é 'jogar o nível no esgoto' 

Alguns vídeos da época em que o candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, era um repórter cobrindo bailes de Carnaval, começaram a circular na internet nesta semana. Publicadas em um site de humor no domingo, as imagens mostram as abordagens do então repórter a beldades como Kátia Dias, Cristina Mortágua e Kiki Pinheiro - dentro de um desinibido baile de Carnaval. Filiado hoje a um partido ligado à Igreja Universal (o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, é bispo licenciado da neopentecostal, assim como o atual ministro da Pesca, Marcelo Crivella), Russomanno não negou o passado, mas criticou a iniciativa de trazer os vídeos a público na internet.

Antes de iniciar a carreira política, o atual líder das pesquisas de intenção de voto à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (PRB), trabalhou como jornalista. A atuação em defesa do consumidor, porém, só começou depois da morte de sua mulher, em outubro de 1990; antes disso, Russomanno era repórter do programaCircuito Night and Day, da TV Gazeta, e fazia pautas bem mais descontraídas.

"Eu sou um profissional. Cobria os bailes de carnaval. Eu sempre atuei como repórter e fiz o meu trabalho da melhor maneira possível", admitiu ele, fazendo críticas em seguida. "São fitas para maiores de 18 anos de idade das coisas que aconteciam dentro dos bailes de carnaval. Eu fico triste de ver que eles estão pondo isso numa rede social a que crianças têm acesso. São pessoas que não têm um pingo de responsabilidade, um pingo de ética." Segundo ele, a atitude representa a visão de que "na política vale tudo, jogar o nível na sarjeta, no esgoto, e não construir o que a gente precisa, que é a cidadania".

Ataques nas redes sociais

Após se isolar na liderança das pesquisas de intenção de voto e mostrar que estava errada a previsão dos cientistas políticos de que ele iria "desidratar", Russomanno passou a ser alvo de mais ataques, tanto dos adversários quanto de anônimos nas redes sociais. Existem na internet, por exemplo, vários posts e tweets ressaltando sua ligação com o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), sua suposta relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, como publicado pelo jornal Correio Braziliense, além de comentários pejorativos sobre sua relação com o líder da Igreja Universal, Edir Macedo.

Publicamente, o candidato já tentou se desvencilhar de Maluf, afirmando que o ex-prefeito não é seu padrinho político e que ele, Russomanno, tem estrela própria. Além disso, afirmou ter entrado na Justiça contra o jornal que o ligou a Cachoeira, acusando a publicação de ter criado a história. Ademais, Russomanno afirmou não ter recebido em sua campanha nenhuma quantia da Igreja Universal ou de Edir Macedo.

Apesar das respostas, as acusações e denúncias devem continuar enquanto o candidato estiver no topo das pesquisas - o que não parece preocupá-lo. "São denúncias vazias, denúncias requentadas, e eu não vou dar bola para essas coisas, vou continuar trabalhando, mostrando que a gente tem proposta, que a gente tem solução para os problemas que a cidade de São Paulo vive", respondeu.