De volta aos palanques, Lula reforça campanha de Patrus

Com ataques diretos ao PSDB e ao candidato do PSB à prefeitura de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, o ex-presidente Lula participou, na noite desta sexta-feira, de um comício na Praça da Estação, no centro da capital mineira. Cerca de 3 mil pessoas participaram do evento, o primeiro de Lula desde que ele se recuperou da cirurgia para a retirada de um tumor na laringe. No palco, discursaram, além de Lula e do candidato do PT, Patrus Ananias, lideranças da legenda e de partidos da coligação.

Visivelmente mais rouco que de costume, e a todo momento tomando água, Lula começou o discurso pedindo aos militantes que baixassem as bandeiras para mostrar como estava mais bonito sem barba, raspada juntamente com o cabelo durante o tratamento. Em seguida, o ex-presidente explicou porque escolheu a capital mineira para o primeiro comício depois que deixou presidência da República.

Lula fez referência à doença para explicar: "No mês que vem vai fazer um ano que descobri que tinha um câncer. E o meu medo maior não era morrer, era saber que o câncer estava muito perto das cordas vocais e eu podia perder a voz. E eu perguntava como iria viver sem saber fazer discursos?".

Logo depois, o ex-presidente mandou recados aos adversários. "Estou aqui na praça onde já estive várias vezes para dizer aos meus adversários que estou de volta para fazer muitos discursos. Não posso falar muito, não estou com essa bola toda, logo começo a tossir, mas queria dizer porque Belo Horizonte (para o primeiro evento político) e porque Patrus. Eu sempre tive que provar que o operário seria capaz de governar esse País e fazer mais que a elite brasileira fez em 500 anos. Sempre tive que provar que a inteligência não estava na quantidade de tempo que a pessoa passou nas escolas, e sim na capacidade de sobrevivência dessa pessoa. E nós fizemos um governo que, até hoje, as pessoas tentam entender", afirmou, citando alguns feitos do período em que foi presidente.

Lula também lembrou a aliança em torno do nome de Marcio Lacerda nas eleições de 2008, que gerou brigas internas no Partido dos Trabalhadores em BH. "(Com aliança) O PT de MG estava brigando demais, tinha gente desgostosa, com um pouco de cara feia. Tinha uma aliança que todo mundo entendeu que deveria fazer, e aí começou a briga. E mais briga. Eu recebia telefonema: 'Lula, vem ajudar'. Pois eis que Deus colocou o Dedo no lugar certo e disse: se aqueles que o PT ajudou a colocar no poder não querem mais ficar com o PT, tudo bem, o PT não vai ficar chorando, porque um partido que tem um homem da qualidade do Patrus não pode temer nada".