RS: candidatos participam de debate com catadores na capital 

Membros de seis coligações que disputam a prefeitura de Porto Alegrereuniram-se nesta terça-feira, na sede do Ministério Público, para debater questões relativas à integração entre catadores e poder público municipal. Para um público reduzido, os candidatos apresentaram suas propostas para o segmento e criticaram a falta de representantes da prefeitura no encontro.

Promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Lata de Alta Reciclabilidade (Abralatas), o debate reuniu Jocelin Azambuja (PSL), Érico Côrrea (PSTU), Roberto Robaina (Psol), Coronel Bonete (PR), vice de Adão Villaverde, Marco Dangui (PRP), vice de Wambert Di Lorenzo, e Manuela D´Ávila (PCdoB), que após sua manifestação inicial foi substituída por seu candidato a vice, Nelcir Tessaro (PSD).

Apesar de ótimos resultados na reciclagem do alumínio, a carência na coleta seletiva e na estruturação de uma rede que integre as partes envolvidas no processo do recolhimento do lixo, são apontados como entraves a serem enfrentados pelas prefeituras, incluindo a da capital gaúcha.

"Vi a realidade dos galpões e temos pouco a comemorar. O quadro é ruim. Ter 4,5% de coleta seletiva não é um número condizente com uma cidade inovadora. Nós paramos no tempo", criticou Manuela, que também advertiu para a falta de planejamento da gestão atual para se adaptar à lei dos resíduos sólidos, a qual determina que todos os lixões do país sejam fechados até 2014.

"Hoje temos um termo de cooperação, mas não temos total e efetivo apoio da prefeitura. São oito anos de sucateamento dos galpões, sem reajuste de valores, privatização da coleta seletiva e isso faz diferença para a gente. Os índices de coleta são muito baixos", avaliou Ana Regima Lima, representante da Federação dos Recicladores do Rio Grande do Sul.

Trabalhadora de um galpão que reúne 50 trabalhadores, Ana também mencionou as distorções envolvendo os valores pagos à empresa e o montante repassado aos galpões. "A prefeitura paga R$ 450 mil para a empresa que recolhe o lixo e cada galpão ganha R$ 2,5 mil e nós fazemos o trabalho mais difícil". Em consonância com a opinião da catadora, o candidato Érico Côrrea disse que pretende acabar com as terceirizações na coleta para que os catadores possam ser mais bem remunerados, uma vez que o rendimento médio dos catadores é pouco superior a um salário mínimo nos parâmetros atuais.

Valorização salarial e qualificação dos catadores foram propostas que apareceram na manifestação de Roberto Robaina, que também criticou o dinheiro repassado pela prefeitura a empresas terceirizadas na questão do lixo. Jocelin Azambuja e Marco Dangui mostraram-se favoráveis ao incentivo ao cooperativismo e apoio à categoria, enquanto o candidato a vice de Adão Villaverde, Coronel Bonete, citou a criação de ecoparques como forma de apoiar o setor e consolidar uma política ambiental para a cidade.