Aspásia propõe mudanças estruturais na gestão dos hospitais 

A candidata do PV à Prefeitura do Rio de Janeiro, Aspásia Camargo, defendeu mudanças na estrutura de gestão dos hospitais de gestão dos hospitais públicos da cidade, nesta quarta-feira, durante visita ao Hospital Municipal da Piedade, na zona norte, onde se reuniu por quase duas horas com representantes da diretoria e do corpo clínico da instituição e ainda acompanhou um protesto de funcionários. Para a candidata, a Prefeitura deveria criar uma "carreira de gestor público na área hospitalar" para melhorar a administração dos hospitais na cidade.

Aspásia, que é deputada estadual, destacou que há 15 anos o governo federal adotou uma carreira de "gestor público" para vários órgãos da administração. E acredita que é possível levar essa experiência para a gestão municipal na Saúde.

"Está na hora de a prefeitura também ter uma carreira de gestor público na área hospitalar, profissionais especializados em gestão". A ação, segundo a candidata, servirá para afunilar a falta de controle sobre a administração dos hospitais públicos.

Aspásia ouviu reclamações sobre a estrutura de atendimento e as condições de trabalho, e também sobre falta de equipamentos e de médicos, e afirmou que mudanças são necessárias para aumentar a eficiência da cadeia de atendimento e prestação de serviços.

Para Aspásia, é preciso otimizar a administração para evitar os gargalos. "A primeira solução que eu vejo é ter um sistema de gestão adequado. Os médicos se queixam de falta de materiais e equipamentos, por exemplo. A gestão precisa ser eficiente para cuidar disso. O município é que tem que fazer isso!, defendeu.

A candidata também defendeu a melhoria dos salários e da carga horária, com "serviços fixos, contínuos e estáveis". Além da avaliação geral sobre o atendimento na rede pública municipal, ela criticou a postura do governo com relação à situação específica do Hospital da Piedade. "Esse hospital não é um 'lanterninha' da rede municipal de saúde, ele tem sua vocação definida e precisa ser prestigiado. Tem recurso, não há razão para que o hospital não seja bem atendido. E é o prefeito que tem que fazer isso", declarou.

Protesto

Acompanhada por representantes do Conselho Regional de Medicina e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Aspásia conversou com médicos e funcionários que organizaram um protesto na porta do prédio. Eles reivindicavam uma solução para a unidade e, principalmente, para a Pediatria. Segundo a diretora do setor, Beatriz Araujo Costa Soffe, o atendimento foi suspenso essa semana como forma de prevenção e também para pressionar a reabertura de negociações com a Prefeitura.

Beatriz informou ainda que, durante encontro realizado na terça-feira, houve a promessa da Secretaria de Saúde de atender uma das reivindicações: contratação de pessoal. A princípio, mais quatro profissionais da área serão contratados de forma emergencial, sendo dois já neste final de semana - somando 20 pediatras no total.

O Hospital da Piedade foi criado pela iniciativa privada, mas foi para as mãos do governo federal há 20 anos. Depois de um longo impasse sobre a gestão da unidade, o município acabou assumindo sua gestão. Atualmente, parte dos médicos e funcionários defende a refederalização da unidade, que serve como hospital universitário, mantendo, inclusive, o serviço de "hospital de ensino".

A candidata verde discorda dessa reivindicação e defende que a Prefeitura mantenha o comando da unidade. "Essa ideia (de devolver a gestão à União) é uma ilusão e tem a ver com período de glória do hospital, quando ele era federal. Hoje o governo federal não tem esses recursos todos". Aspásia, porém, ressaltou que atualmente mais da metade dos médicos do Hospital da Piedade são vinculados à instituições federais, através de convênios.

Sem comando

Aspásia cobrou do prefeito e candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB) que assuma a coordenação do que chamou de "rede de muitas cabeças que está sem comando". "O Hospital da Piedade já foi um hospital de excelência, é muito querido. Em (19)99, quando se municipalizou, começaram todos os problemas". A candidata destacou que nos últimos anos o orçamento do Piedade triplicou e que carência de recursos não pode ser justificativa para inviabilizar as soluções.

A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada pela reportagem do Terra, mas, até o fechamento dessa reportagem, ainda não havia se pronunciado sobre o impasse.