Rio: Paes e Freixo disputam apoio de artistas e intelectuais 

Eduardo Paes (PMDB) e Marcelo Freixo (PSOL), favoritos na disputa à prefeitura do Rio de Janeiro, apostam boa parte de suas fichas nas classes artística e intelectual. Enquanto o programa político de TV e rádio não começa, os dois comemoram cada apoio recebido com vídeos, fotos e declarações nas redes sociais e na imprensa. Além de terem suas plataformas de governo distintas, tentam convencer o eleitor com base na simpatiza que levam de seu cantor e ator preferido, se aproveitando da popularidade que os artistas têm na cidade.

Difícil saber qual dos dois tem angariado mais apoio da classe artística. "Eduardo Paes faz uma política cultural bastante forte. Aumentou as verbas para o Riofilme (empresa carioca de fomento ao cinema, para os teatros e concertos, a classe artística fica balançada. O apoio ao Freixo se deve a uma ligação histórica de pessoas da classe artística com a esquerda", explica o cientista político Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).

Eduardo Paes já recebeu apoio formal dos sambistas Monarco, Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Alcione, Martinho da Vila e sua filha Mart'nália, do cantor Buchecha, do novelista Gilberto Braga, além do arquiteto Oscar Niemeyer, do cineasta Cacá Diegues e do crítico musical Nelson Motta, entre outros. "Todo voto ajuda. É importante ter o voto de pessoas importantes, mas trabalhamos pelo voto de todos os cariocas", afirma o prefeito.

Se o deputado estadual Marcelo Freixo ainda não conseguiu chegar perto do prefeito nas pesquisas de intenção de voto - o candidato do PMDB teve 49% contra 8% do principal rival no último levantamento feito pelo Ibope - ,conseguiu angariar até mais apoio de gente conhecida e influente do ramo artístico e intelectual.

Freixo conta com a simpatia do compositor e escritor Chico Buarque, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, de Ivan Lins, do ator Wagner Moura, da atriz Leandra Leal e de intelectuais do calibre do economista Carlos Lessa (ex-presidente do BNDES), do teólogo Leonardo Boff e do antropólogo Luiz Eduardo Soares, autor dos livros Elite da Tropa 1 e 2, que deram origem aos aclamados filmes Tropa de Elite.

"É muito bom ter Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wagner Moura, Leandra Leal na campanha. E eles estão como cidadãos, não estão me apoiando porque tem um show em que eu ajudei ou tem um cargo que eles querem. São pessoas que pensam o Rio de Janeiro, nos procuraram e disseram 'conte com nosso apoio porque a gente defende este projeto de cidade'. São pessoas conhecidas que ajudam na divulgação", disse Freixo. "Mas não é uma campanha só de artistas. É uma campanha que tem o jovem, tem o servidor, o médico, o professor, pessoas que no dia a dia fazem o Rio de Janeiro."

E não precisa nem ter título de eleitor do Rio de Janeiro. Paes postou na sua conta do Facebook foto com o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença. Já Freixo recebeu apoio até do economista e ex-presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo.

O cientista político Moreira Monteiro vê a estratégia dos dois candidatos como positiva, mas alerta que não é o tipo de apoio que costuma definir eleição.

"Claro que é bom para o candidato, o eleitor tem mais um motivo para simpatizar com ele porque os artistas têm uma boa imagem. Mas o movimento eleitoral não muda com o apoio dos artistas. Basta lembrar da última eleição para a prefeitura do Rio, quando o Fernando Gabeira tinha amplo apoio dos artistas, mas acabou perdendo. O mesmo acabou ocorrendo com a Marina Silva na eleição presidencial", opina Moreira Monteiro.