Mensalão não afetará eleições, dizem candidatos do PT 

Os candidatos apoiados pelo PT para concorrer às prefeituras das maiores cidades do País não demonstram preocupação com o julgamento do mensalão, a ser iniciado na próxima quinta-feira. Durante encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta segunda-feira em São Paulo, vários fizeram questão de separar o processo na Justiça das eleições, afirmando que não deve haver influência na imagem do partido ou dos candidatos.

O senador Humberto Costa (PT-PE), candidato a prefeito do Recife, afirmou que a iminência do veredicto aos 38 envolvidos no suposto esquema de compra de votos no Congresso durante o governo Lula não preocupa nem a ele, nem ao próprio ex-presidente. "São duas coisas diferentes. Uma coisa é a disputa eleitoral, a imagem que o PT tem na sociedade, e o julgamento. Na verdade esse assunto está entregue à Justiça, a expectativa é que seja um julgamento justo e que prevaleça a verdade. Qualquer que seja ela, acredito que não traz prejuízos pro PT", afirmou ele.

Mesmo que reconheça que "a oposição e a grande imprensa" tentarão transformar o mensalão em um julgamento do próprio PT, Costa não crê que o processo afetará o desempenho do partido nas urnas. "Esse é um assunto que já foi tão batido que eu acredito que o efeito contra o PT é mínimo. A população brasileira é muito inteligente, muito sábia, já acompanhou tudo isso que aconteceu e vai saber fazer uma separação bastante clara entre as duas coisas."

"O País deve respeitar o Supremo Tribunal Federal nesse processo. Não é razoável que ninguém seja pré-julgado", disse o candidato petista à prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias. Segundo ele, como a decisão está sob apreciação "da mais alta corte do Brasil", só resta aguardar o processo.

Para Márcio Pochmann, candidato pelo PT à prefeitura de Campinas, o julgamento do mensalão é um fato paralelo à campanha, e não deverá ter a maior atenção dos cidadãos. "O eleitor em geral está preocupado com problemas da cidade, problemas de saúde, educação, habitação e transporte, e os candidatos devem dar resposta a essas questões que são anseio da população", disse ele. "A campanha eleitoral é para os próximos quatro anos, é um projeto de cidade que está em discussão, e não o passado do Brasil. A gente aprende com os erros, mas evidentemente estamos comprometidos com o futuro", afirmou.

O candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), recusou-se a falar sobre o julgamento do mensalão na saída do evento. O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), candidato a prefeito por Osasco, na Grande SP, e um dos réus no processo, não compareceu ao evento. A assessoria do candidato não confirmou o motivo da ausência.