Freixo visita hospital e critica atual gestão da saúde

A visita do candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), e do vereador e candidato à reeleição Paulo Pinheiro (Psol), ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, no fim da manhã desta quarta-feira, movimentou a unidade de saúde.

A estratégia de Freixo foi avisar a assessoria do hospital com cinco dias de antecedência, que faria uma visita ao local, como forma de avaliar se haveria alguma mudança na dinâmica da unidade. Na noite de ontem, o deputado recebeu a denúncia de que pacientes foram transferidos do hospital por conta da visita desta quarta.

"Nós fizemos propositalmente, avisamos que vínhamos. Mas isso não significa que vamos avisar sempre. Nunca fui inconsequente nas minhas declarações, mas recebi a informação ontem, de que havia ocorrido aqui na unidade uma preocupação com a nossa visita. E que por isso, alguns pacientes em situação mais crítica foram transferidos para outros locais. Eu não posso garantir que isso é verdade. Mas ouvimos relatos de pacientes dentro do hospital que afirmam que isso realmente ocorreu.

De acordo com um vídeo divulgado por um familiar de uma paciente internada, a situação na unidade antes da visita era calamitosa, com pessoas espalhadas pelos corredores, deitadas no chão e sem atendimento. Hoje, o cenário encontrado pelo candidato foi outro: os corredores estavam livres e haviam poucas macas no local. A imprensa foi barrada pela direção do hospital e não pode acompanhar os candidatos do Psol.

O orçamento da saúde do Rio de Janeiro dobrou nos últimos anos, passando de R$ 2 bilhões para R$ 4 bilhões, na gestão do prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB). Mas de acordo com o último relatório do Ministério da Saúde, a cidade tem o pior atendimento de saúde pública do Brasil. Para Freixo, a grande questão do problema está na baixa remuneração dos profissionais de saúde, e na implantação de gestão terceirizada, por meio da Organização Social (OS) pela prefeitura.

"Nós temos um orçamento razoável para a saúde, que dobrou nos últimos anos. Que foi uma medida correta. Mas não temos profissionais. As UPAS são novas e bem arrumadas, mas não tem médicos. Nada foi investido em recursos humanos, não se tem planos de cargos e salários, não se investe nesse profissional", afirmou. Na opinião do candidato, o Rio de Janeiro fez uma opção equivocada na privatização da saúde, com os modelos de OS funcionando a todo vapor, e as redes de saúde não. "Os médicos concursados ganham R$ 1,8 mil, já os contratados pelas OS, recebem R$ 7,5 mil. Tem médicos concursados que se licenciam para virar cotratados. Isso não é correto. Muitas vezes a chefia daquela unidade ganha muito menos que um subordinado contratado", acrescentou.

O Hospital Lourenço Jorge está situado na região que mais cresce na cidade. A unidade é a que tem a menor capacidade de atendimento da rede municipal (157 leitos). A Barra da Tijuca é cercada por vias expressas, onde ocorrem dezenas de acidentes diariamente, mas o hospital não possui atendimento de neurocirurgia. O local mais próximo que possui a especialidade é o Miguel Couto, na zona sul.

O estudante Felipe Carneiro Freitas, 17 anos, atropelado no dia 3 de julho por um BRT, em frente à escola onde estuda, continua internado em estado grave na unidade. O candidato visitou o estudante no CTI, acompanhado da mãe dele. "A sorte do Felipe foi que ele não precisou passar por uma neurocirurgia. Os problemas dele estão mais na parte abdominal do corpo. Caso tivesse precisado desse tipo de cirurgia, teria que ser transferido ao Miguel Couto. Isso é um absurdo, um completo descaso. A unidade precisa urgentemente de uma emergência com esses profissionais", destacou.

Durante a visita, o deputado recebeu diversas denúncias de falta de profissionais por parte dos pacientes. Um dos principais projetos para a área da saúde, caso seja eleito, será na valorização dos profissionais. "Nosso objetivo é valorizar o servidor público e fazer com que a saúde pública volte ao controle do Estado", disse. Ele garantiu que existem contratos mal feitos, que burlam a lei da Constituição Federal. "Os contratos que não estiverem maquiando superfaturamento e que tiverem gerando algo bom para o Estado, serão cumpridos", completou.