Brant sai do PSD: "Achava que podia ser diferente" 

Em tom de despedida, o ex-deputado federal e ex-ministro da Previdência Social do governo Fernando Henrique Cardoso, Roberto Brant (sem partido), oficializou nesta quarta-feira sua saída do PSD, partido fundado por ele junto ao presidente da legenda e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em 2011. A sua saída do partido teve origem no apoio unilateral de Kassab à candidatura de Patrus Ananias (PT) à prefeitura de Belo Horizonte, passando por cima da decisão do PSD municipal que apoiava o atual prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda (PSB).

Em conversa por telefone com o Terra, Brant, que era vice-presidente da legenda, afirmou que vê esperanças em sua saída para colocar o PSD no rumo que foi proposto. "Eu achava que o partido podia ser diferente, que tivesse previas, que tivesse convenções. Mas, até agora não mostrou isso", afirmou o ex-ministro. Brant manteve tom moderado nas críticas ao prefeito Kassab, lembrou que foi colega de legislatura do gestor até 2004. "Não tem nenhum ressentimento", disse Brant. "Ele apenas cometeu um gesto equivocado", completou.

Brant ressaltou que o problema de sua saída foi a decisão e que não tem ligação com o apoio ao antigo adversário político e candidato do PT à prefeitura de BH, Patrus Ananias. "Se o partido tivesse escolhido apoiar outra chapa regularmente eu aceitaria, inclusive a candidatura do Patrus. Não me engajaria tanto, mas não seria um dissidente", disse Brant, que enfatizou apoio à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB).

Único deputado de oposição acusado de participar do esquema do mensalão em 2005, Roberto Brant afirmou que o PSD era sua última tentativa de continuar na política. Para ele, o PSD perdeu a oportunidade de mostrar que era diferente, respeitando a decisão da Convenção Municipal do partido. Em "última instância", deveria recorrer a direção executiva.

Agora, com a direção municipal do PSD apoiando Lacerda, e a direção nacional apoiando Patrus, e com PSB e PT registrando o partido de Kassab como aliados, a decisão do apoio dos pessedistas ficará para a Justiça eleitoral.