Ex-rival convoca militantes e pede apoio a Serra 

Em uma tentativa de demonstrar unidade e afastar o "fantasma" do racha no partido, o PSDB realizou, na noite desta segunda-feira, na capital paulista, um ato com os militantes que apoiaram o deputado federal Ricardo Tripoli durante as prévias da legenda, quando o ex-governador José Serra foi escolhido pré-candidato a prefeito de São Paulo. 

Tripoli, que já havia anunciado apoio ao rival no mesmo dia em que foi derrotado, pediu aos partidários que trabalhem para eleger Serra e para impedir o crescimento do adversário do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, considerado o maior rival do tucano.

"As prévias foram uma grande lição para o PSDB. O nosso adversário (o PT) foi ditador e impôs um candidato (o Haddad), impedindo as prévias (...) O Serra, que é meu amigo pessoal, nunca me ligou para pedir que eu desistisse da minha pré-candidatura", disse Tripoli, que ficou em terceiro lugar na disputa interna, com 16.7% dos votos.

Segundo colocado no pleito, com 31,2% dos votos, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, não participou do evento realizado na sede municipal do PSDB, mas a intenção da cúpula tucana é realizar um ato semelhante nos próximos dias.

Embora Aníbal tenha criticado abertamente o ex-adversário durante a disputa interna, o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, que é um dos coordenadores da campanha tucana, disse não ver dificuldade em conquistar o apoio dos militantes que o apoiaram. Segundo Aparecido, Aníbal já aceitou o encontro e deve se reunir ainda esta semana com ele para definir uma data e um formato do evento. "Ele só não veio hoje porque teve compromissos pessoais", afirmou.

Durante o ato, alguns apoiadores de Tripoli cobraram, ao microfone, mais participação nas escolhas do partido, mas declararam apoio a Serra, seguindo a orientação do deputado. "Nós éramos ignorados (pelo diretório). (...) Serra, nós vamos te apoiar, mas não deixe de ouvir as bases", disse um partidário.

Já em seu discurso, Serra empenhou-se para pregar que a campanha coloque fim a qualquer eventual rivalidade dentro da legenda, em nome de um "objetivo em comum" - que é derrotar o PT.

"Não tem grupos dentro da campanha. Nós vamos trabalhar todos juntos, sem barreiras", discursou.

A vitória de Serra nas prévias com 52,1% dos votos frustrou os tucanos serristas que, antes do resultado, defendiam que o ex-governador deveria ganhar de "lavada" para ganhar força dentro do partido. Após o fim das prévias, o tucano - que atualmente lidera a corrida eleitoral, com cerca de 30% das intenções de voto -, saiu de "cena" para evitar um desgaste político, já que vinha sendo alvo de intensos ataques dos rivais, e passou a fazer uma campanha mais discreta, além de se dedicar a costurar alianças com outros partidos.

A intenção do PSDB é que, até o dia 17 de junho - quando será a convenção do partido -, a chapa de Serra possa anunciar alianças com partidos como o DEM, o PTB e o PV, que ainda não se manifestaram publicamente sobre o apoio a Serra. O PSD, do prefeito Gilberto Kassab, por enquanto é o único aliado público do pré-candidato.