Marinho: aliados terão de se contentar com 'menos Lula' 

São Paulo - O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo pessoal e um dos principais afilhados políticos de Luiz Inácio Lula da Silva, declarou neste sábado, em entrevista coletiva, que os aliados "terão de entender" que o ex-presidente não poderá ter a mesma participação nas eleições de 2012 que teve nos outros anos. De acordo com ele, Lula voltará à militância "na medida em que estiver bom", mas não com a mesma força.

"Não poderão contar com Lula como contaram em outros anos", declarou o prefeito, após inauguração de um Centro Educacional Unificado (CEU) que tem o nome da mãe da ex-primeira dama Marisa Letícia. A participação de Lula curado de um câncer na campanha é considerada um fator que alavancaria a candidatura do ex-ministro da Educação para a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. A ocasião marcou o primeiro encontro de Haddad com a ex-ministra Marta Suplicy, que foi contrariada ao vê-lo ser escolhido como candidato por Lula. Apenas Marinho falou com a imprensa presente no evento.

Questionado sobre a possibilidade de crescimento de Haddad nas eleições próximas de outubro, Marinho afirmou que o crescimento deve ser gradual com as aparições na campanha. "Acredito que ele cresce com a campanha, ao longo dela", disse. Indagado sobre se participaria da corrida com Haddad, Marinho deixou claro que tem seus próprios problemas. "Tenho a minha campanha. A gente não pode achar que está ganha e participar desta ou daquela outra. Com campanha não se brinca", disse o metalúrgico.

A inauguração da escola marcou a volta do ex-presidente a eventos públicos após o tratamento de um câncer na laringe. A reunião dos caciques petistas foi a primeira grande festa da corrida eleitoral de 2012. Em seu discurso, Lula reafirmou a intenção de se engajar mais nas campanhas em todo o Brasil - citando dirigentes do ABC Paulista - mas disse que, "se tivesse juízo", não discursaria ao microfone.

Nitidamente debilitado e sofrendo com o calor, o político exigiu demais da voz e acabou tendo que interromper seu discurso após um acesso de tosse. "A gente tem que ter a sabedoria de uma mãe e cuidar de quem precisa ser cuidado, que são as pessoas mais pobres desse País", afirmou o ex-presidente em menção à sua sucessora Dilma Roussef, encerrando sua participação. Durante sua fala, Lula chamou Marinho de "filho".

Volta do 'projeto petista'

A ex-prefeita da capital paulista, Marta Suplicy, lembrou o início do projeto dos CEUs em sua gestão e manifestou o desejo da volta do "projeto petista" à prefeitura de São Paulo sem citar Haddad, que estava ao seu lado direito. "O programa petista na cidade tem que voltar para acabar com a mediocridade", disse Marta sobre a gestão de Gilberto Kassab (PSD).

Haddad alfinetou os adversários ao dizer que Lula foi o presidente que mais aplicou em educação no governo federal. "Nenhum doutor que veio antes investiu mais", disse. Participaram também do evento a ministra da Cultura Ana de Hollanda, o senador Eduardo Suplicy e o deputado federal Vicentinho.

O câncer de Lula

Após queixa de dores de garganta, Lula realizou uma série de exames na noite de 28 de outubro do ano passado. Na manhã do dia seguinte, foi divulgado boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, informando que foi diagnosticado um tumor maligno na laringe, que seria inicialmente tratado por quimioterapia.

O câncer na região da laringe é mais comum entre homens e o de maior incidência na região da cabeça e pescoço. Os principais fatores que potencializam a doença são o tabagismo e o consumo de álcool. Já os sintomas são: dor de garganta, rouquidão, dificuldade de engolir, sensação de "caroço" na garganta e falta de ar.