GO: Perillo e Iris promovem debate mais tenso do 2º turno

     GOIÂNIA - O último debate entre os candidatos ao governo do estado de Goiás, Iris Rezende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB), realizado pela TV Anhnaguera/Rede Globo, foi o mais tenso deste segundo turno. A estratégia dos dois postulantes ao governo foi praticamente a mesma: confronto direto, pautado em "alfinetadas" de lado a lado na comparação nos estilos de governo de cada um, que já foram, ambos, e por duas vezes, governadores do Estado.

O debate, de 50 minutos, dividido em três blocos, ganhou agilidade também em grande parte por causa do formato de perguntas feitas diretamente entre os candidatos e sorteio de temas livres e abrangentes. Mas, apesar das críticas trocadas entre Iris e Marconi, nenhuma denúncia ou assunto novo apareceu durante o programa que já não tivesse eclodido nos debates anteriores.

No primeiro bloco, os temas centrais foram saúde, responsabilidade fiscal, educação e transporte metropolitano. "Vamos fazer funcionar o que já existe. Depois vamos partir para obras novas", prometeu Marconi. Iris Rezende, por sua vez, acusou o tucano de ter deixado obras não concluídas e "propostas e promessas não cumpridas". "O meu adversário fez toda uma campanha em cima de inverdades como esta", rebateu o tucano.

Ao debaterem sobre transporte coletivo, Marconi acusou Iris de não ter solucionado o problema do trânsito de Goiânia, capital da qual foi prefeito de 2004 a este ano. Iris devolveu a acusação dizendo que o problema se originou nas gestões de Marconi. "Não comprou ônibus e usou a linha (do Eixo Anhanguera, corredor leste-oeste sob responsabilidade do governo estadual) para fazer politiquice", disse Iris. "Você não pode falar do trânsito de Goiânia porque o senhor não anda em Goiânia. O senhor anda é de helicóptero", ainda disparou o candidato do PMDB.

Iris também afirmou que Marconi não cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, quando governador. "Não investiu os 12% (constitucionais) na Saúde", acusou, citando também que o atual governador Alcides Rodrigues (PP) pagou mais de R$ 1,5 milhões em dívidas deixadas pelo tucano. "Minhas contas foram rigorosamente aprovadas", rebateu Marconi.

Na segunda parte do debate, novos ataques. Iris e Marconi pontuaram várias "feridas" da história da administração estadual de Goiás, como as falências dos bancos estaduais Caixego (1990) e Beg (2001), com referências também à venda da Usina de Cachoeira Dourada (1997), apontada como uma das causas da atual situação falimentar da Companhia Energética do Estado, a Celg. Cada um responsabilizou os governos do adversário pelos fatos.

Neste bloco, o tema habitação popular também causou polêmica quando Iris perguntou se era promessa de Marconi derrubar as casas da Vila Mutirão, conjunto popular que construiu nos anos 80. "As pessoas têm amor por aquelas casas, e eu também", lembrou o candidato. Marconi, por sua vez, disse que as casas - feitas de placa - não deveriam ser demolidas, mas substituídas por paredes de alvenaria para dar "mais dignidade" às famílias.

No terceiro bloco do debate, destinado a considerações finais, Iris e Marconi lembraram ao eleitor porque querem ser governadores mais uma vez. O candidato do PMDB lembrou a vasta experiência que acumulou como administrador. Marconi, por sua vez, citou que fez uma campanha em meio a dificuldades, como o enfrentamento das máquinas de governo.