Polícia Federal indicia 15 pessoas por compra de votos em Goiás

A Polícia Federal (PF) de Anápolis, interior do Goiás, autuou em flagrante, 15 pessoas pela prática de crime eleitoral. Conforme informações divulgadas pela PF, elas participavam de uma reunião com representantes do Instituto Verus de pesquisa, no auditório do Hotel Príncipe, onde era feita uma simulação de pesquisa eleitoral. Após críticas a um candidato ao governo de Goiás e elogios a outro, foi distribuído, ao fim do encontro, R$ 50 dentro de um envelope vermelho.

Segundo o delegado titular da delegacia da PF, Angelino Alves, o Instituto e sua movimentação na cidade era monitorada pela Polícia Civil há uma semana. Dos presos, nove são eleitores que receberam dinheiro e seis são representantes do instituto de pesquisa. Dentre eles, o diretor Geral da empresa, Luiz Felipe Gabriel.

Foram aprendidos 60 formulários de pesquisa já preenchidos e uma grande quantidade ainda em branco. Também foi apreendido um notebook que era utilizado para passar vídeos dos candidatos ao governo; R$ 1.292 mil em dinheiro, além de outros objetos.

O crime de compra de votos, conforme explicou o delegado, se configurou no momento em que o Instituto remunerou as pessoas participantes da pesquisa, o que deveria ser feito voluntariamente. Os presos foram indiciados por este crime previsto no art. 299, da Lei nº 4.737/65 (Código Eleitoral), que prevê pena de até cinco anos de reclusão. Os indiciados foram encaminhados na tarde desta quinta-feira (28) ao presídio municipal de Anápolis.

O delegado Angelino Alves observa, no entanto, que não foi possível apurar nos depoimentos e no material apreendido na ação para qual candidato era realizada a compra de votos. "Isto ainda não está claro", comentou.

Por outro lado, a assessoria de comunicação do candidato ao governo de Goiás pelo PMDB, Iris Rezende, confirma que o Insitituto Verus foi contratado pela coligação do peemedebista para promover uma pesquisa qualitativa em Anápolis. No entanto, o partido nega que tenha autorizado qualquer prática eleitoral escusa, em especial a compra de votos.

"Não temos nada a ver com isso. O PMDB não compra votos", garantiu o advogado do partido, Marconi Pimenteira. "O contrato, se porventura existiu, foi para realizar uma pesquisa qualitativa", completou. Pimenteira discorda da conclusão do delegado Angelino sobre a tipificação do crime. "O inquérito não foi nem concluído, logo não se poderia afirmar que houve a compra de votos", observou.

O candidato Iris Rezende também refutou a tese de que seu partido realizaria prática de compra de votos em Anápolis e que soube do caso pela imprensa. "É que erraram o bote. Eles pensavam uma coisa (compra de votos) e era outra. Era um grupo que fazia uma pesquisa qualitativa", afirmou. Iris não acha possível que o Instituto seja tendencioso. "Em pesquisa qualitativa não existe isso. Ou é pesquisa ou não é. É uma coisa profundamente científica, técnica, levam ali para avaliar programas - mostra o programa de um, mostra o programa de outro - e aí a pessoa vai induzindo a manifestação", detalhou.

Questionado sobre o pagamento ofertado pelo Instituto, Iris foi objetivo. "Pesquisa qualitativa não vem para o público. É para avaliar se o programa foi aprovado. Não tem nada a ver com isso", assinalou. Iris ainda não deixou de alfinetar o partido adversário, o PSDB, que corroborou a tese de que o caso de Anápolis seria mesmo de compra de votos. "O bom juiz por si se julga. Eles esbanjaram dinheiro nesta campanha, e nós fizemos uma campanha humilde. Nós não fazemos política como outros fazem. Nós respeitamos o público", disse.