Em Pernambuco, Eduardo Campos consolida PSB como alternativa ao PT

      RECIFE - Além de ter conquistado o título de candidato ao governo proporcionalmente mais votado do país, com 82,84% dos votos válidos, Eduardo Campos (PSB) contabilizou outras vitórias nesta eleição. Em números, o PSB tornou-se a 4ª maior sigla do país, com três senadores, 34 deputados federais e 73 deputados estaduais, e mais três candidatos da legenda disputam o segundo turno, além dos três eleitos no primeiro turno.

Em Pernambuco, base política de Eduardo Campos, os números derrubam uma lógica histórica. Em 1998, quando Miguel Arraes de Alencar (PSB), avô de Campos, perdeu a eleição para Jarbas Vasconcelos (PMDB), por mais de 1,2 milhões de votos, seu grupo político chegou a ser considerado por alguns analistas como "extinto". Doze anos depois, e contra o mesmo adversário, Campos obtém uma vitória com diferença de 2,8 milhões de votos.

A força política se estende à família. Ana Arraes (PSB), mãe do governador Eduardo Campos, foi a quinta deputada federal mais votada do país, com mais de 380 mil votos. Até 2006, "dona Ana", como é conhecida, nunca tinha participado de uma disputa eleitoral. Foi incentivada por Campos a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para preservar a cadeira da família, enquanto Campos, então deputado, disputava o governo do Estado. Na época, foi a terceira mais votada, com pouco mais de 178 mil votos.

Eduardo Campos assegurou mais quatro anos de governo com uma oposição muito diminuída. Como ele mesmo fala, conseguiu "reverter o jogo" no Senado, ao "inverter o placar de 3x0 para 2x1", em referência à eleição de dois senadores ligados ao seu grupo político, Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB). Antes, apenas oposicionistas ocupavam as vagas: Marco Maciel (DEM), Sérgio Guerra (PSDB) e o único remanescente, Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Com uma coligação formada por 15 partidos, Eduardo Campos também obteve a maioria na Assembleia Legislativa. Dos 49 parlamentares eleitos, 13 são do PSB e apenas oito de partidos de oposição. Sobre a situação cômoda que vai encontrar a partir de 2011, o governador declarou que se tratava "da vontade do povo, que tem que ser respeitada".

Os números favoráveis nesta eleição já induzem possibilidades para os próximos pleitos. Ana Arraes é cotada por aliados para disputar a prefeitura do Recife, atualmente comandada por João da Costa (PT). O próprio Eduardo Campos é cogitado como presidenciável em 2014.

O principal empecilho, nos dois casos é a relação com o aliado PT, que tem hoje a hegemonia no campo da centro-esquerda. Mas sobre o assunto, Campos desconversa: "não vou alimentar essa coisa de presidência da República ou qualquer outra candidatura".