Na TV, Serra reúne aliados e aposta em valores éticos e morais

      SÃO PAULO - O horário eleitoral gratuito do segundo turno entre os presidenciáveis volta a ser transmitido nesta sexta-feira. O candidato do PSDB, José Serra, pretende levar ao ar depoimentos de aliados, enfatizando a união da chapa e em tom de agradecimento por ter chegado ao segundo turno. E, assim como tem reforçado em suas declarações recentes, o tucano também pretende evidenciar a importância que dá aos valores morais e éticos.

Se antes o intuito era aproximá-lo da população de baixa renda, agora, o núcleo de marketing da campanha pretende lhe dar maiores amplitudes e lhe atribuir, assim, dimensões presidenciais. Ou seja, se antes o tucano falava em seguro desemprego, agora, passa a falar em economia forte. Se antes ele abordava a temática da saúde através de problemas do cotidiano - varizes, cataratas, câncer de próstata -, passa a abordá-la como uma questão mais ampla, menos minimalista.

Ao longo do primeiro turno, os esforços da campanha tucana se voltaram a mostrar Serra como um homem de origens humildes e que esteve à frente de gestões preocupadas com políticas sociais. Para aproximar esse discurso da população, as grandes questões, como saúde, por exemplo, eram trazidas para o cotidiano do eleitor com depoimentos de beneficiados por suas administrações em cargos públicos. A tão criticada favela cenográfica, o novo apelido "Zé", as caminhadas a cada cidade visitada e o contato direto com o eleitor compunham a estratégia de retirar o estigma de elitista - que persegue o PSDB - de Serra.

Na avaliação do comando da campanha, o tucano precisa direcionar forças para reaglutinar seu partido e reaproximar seus principais aliados da coligação. Só nesta semana, o tucano já se reuniu com aliados duas vezes na sede estadual do partido e participou de dois eventos partidários. Ao longo do primeiro turno, Serra foi progressivamente ficando isolado, seja por conta dos cenários estaduais ou por dificuldades na interlocução dos aliados com o candidato. O segundo turno liberou os eleitos e deverá aproximar os não eleitos com a perspectiva de poder.

Programas

Embora distantes das definições sobre a estratégia de comunicação da campanha, tucanos e aliados criticam frequentemente a vinculação, segundo eles, exagerada, de Serra com São Paulo, Estado que governou até abril deste ano. Para integrantes da coligação, a campanha é muito "paulista".

Tucanos aproveitaram o bom humor do candidato ao longo desta semana para esboçarem críticas à campanha. A maioria das sugestões era para que Serra regionalizasse as questões, trazendo propostas concretas para as regiões, e aproximasse tanto a temática quanto a linguagem dos Estados nordestinos.

Na tentativa de sanar a questão posta pelos tucanos, o comando da campanha chegou a consultar o Tribunal Superior Eleitoral sobre se seria possível fazer uma campanha diferente por região do País. O partido acreditava ser vantajoso colocar spots diferentes por Estados ou regiões. No entanto, o TSE negou a possibilidade.

Serra já tem dois programas gravados. O que vai ao ar ao meio-dia não deverá ser o mesmo transmitido à noite, que ainda será finalizado pelo jornalista Luiz Gonzalez, responsável pela campanha do candidato tucano.