Na TV, Dilma diz que vive uma das "campanhas mais caluniosas"

Inaugurando o horário eleitoral do segundo turno na televisão, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, comparou a gestão de seu partido com a do PSDB e disse que está "sofrendo na pele uma das campanhas mais caluniosas que o Brasil já assistiu". A petista ressaltou que assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também está sendo vítima de "calúnias", mas pretende trabalhar sem descanso.

 

"Vamos debater com muita clareza qual dos dois modelos de governo é melhor para o futuro no País. Para isso, vamos comparar os oito anos do governo passado com os oito anos do nosso governo para você tirar suas próprias conclusões. E fazer isso sem mentiras, ataques pessoais e sem agressões", garantiu Dilma.

A presidenciável também enfatizou que a votação do último domingo (3) mostra que somando seus votos com os da candidata derrotada do Partido Verde, Marina Silva, fica claro que os brasileiros querem uma mulher na presidência. "Se a gente somar meus votos com os da candidata Marina Silva, a gente vê que os brasileiros querem uma mulher na presidência".

Em resposta às diversas críticas de seu adversário, o candidato José Serra (PSDB), sobre ser favorável ao aborto, Dilma destacou que pretende fazer uma campanha em defesa da vida. "Quero nesse segundo turno fazer uma campanha em defesa da vida. De compromisso com os nossos valores mais sagrados".

O programa utilizou ainda depoimentos da senadora Marta Suplicy (SP) e dos governadores eleitos Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA), Renato Casagrande (ES), Tarso Genro (RS) e Sérgio Cabral (RJ).

 

José Serra

Em seu primeiro horário político do segundo turno da campanha presidencial, o candidato do PSDB, José Serra, focou em temas que alternavam entre sua trajetória política e críticas à adversária Dilma Rousseff e o governo Lula. Durante a reexibição de sua biografia, Serra voltou a enfatizar que "ao contrário de Dilma, nunca precisou de padrinho político" e que "sempre condenou o aborto e defendeu a vida".

O candidato tucano afirmou também que pretende fazer um governo de união nacional. "Nunca tratei as pessoas como sendo de um partido A ou de um partido B. Em um país como o Brasil não se pode pensar pequeno", ressaltou.

Ao reforçar suas propostas de governo, Serra citou alguns aspectos do governo Lula. "O Brasil precisa assumir sua importância no cenário internacional. Vamos dar as mãos a parceiros comerciais que fortaleçam a nossa economia e os nossos empregos. Não vamos andar de braços dados com governos que apedrejam mulheres, perseguem a imprensa e tem vocação para a ditadura", atacou.

Após mostrar o apoio de candidatos eleitos pela coligação do PSDB, como Aécio Neves (senador por Minas Gerais), Beto Richa (governador do Paraná), Geraldo Alckmin (governador do São Paulo), Antonio Anastasia (governador de Minas Gerais) e Raimundo Colombo (governador de Santa Catarina), o programa de Serra fez uma comparação com imagens de ex-presidentes da República.

"Esse foi o último presidente desconhecido que o Brasil elegeu", dizia a narração, enquanto mostrava a imagem do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em seguida, o programa mostrou imagens de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, enquanto a narração dizia que eles foram necessários para beneficiar o Brasil, acabar com a inflação e criar o Plano Real. Ao mostrar a foto de Lula, o narrador disse que "esse também tinha experiência", para depois mostrar uma imagem de José Serra. "Agora, para o Brasil avançar, tem que ser alguém testado, com ficha limpa".

 

A propaganda eleitoral usou as imagens do pronunciamento do candidato no último domingo (3), após o resultado das eleições, em que aparecia agradecendo os brasileiros que o levaram ao segundo turno.