Em manifesto, PT condena exploração da religiosidade na eleição

        Manifesto da coligação da candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff, pede mobilização da militância para garantir a vitória no segundo turno, compara as gestões de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva e, tentando colocar fim às especulações de que a ex-ministra da Casa Civil seria a favor do aborto, condena a exploração da religiosidade do eleitorado como forma de angariar votos. "A obra não vai parar. Queremos aprofundar nossa democracia. A grande vitória que a coligação 'Para o Brasil Seguir Mudando' obteve nas eleições para o Congresso Nacional permitirá que Dilma Rousseff tenha uma sólida base de sustentação parlamentar. Por essa razão repudiamos aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas", diz o manifesto da coligação dilmista.

"Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo. O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir. O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas ideias e convicções", completam os aliados de Dilma.

Atacando o partido adversário Democratas, que o próprio presidente Lula defendeu que fosse "extirpado" da política, o manifesto diz haver contradição entre a aliança do PSDB com "o velho e conservador DEM" e a busca dos votos de Marina Silva (PV), que terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com mais de 19 milhões de votos.

"A candidatura da oposição encontra-se mergulhada em contradições. Tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. Denuncia 'aparelhismos', mas já está barganhando cargos em um possível ministério. Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas. Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas. Mas o que está em jogo hoje no país é o confronto entre dois projetos", afirma o documento.

Na comparação direta entre os governos Lula e FHC, os aliados dilmistas dizem à militância que a gestão tucana, da qual o adversário José Serra fez parte, é "o Brasil dos apagões e do sucateamento da infraestrutura". "O Brasil da privataria, que torrou nossas empresas públicas por 100 bilhões de dólares e conseguiu a proeza de dobrar nossa dívida pública. Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários."

Na política externa, o manifesto observa que o governo FHC era o "país da desesperança, de governantes de costas para seus vizinhos da América Latina, cabisbaixos diante das potências estrangeiras em cujos aeroportos se humilhavam tirando os sapatos" e propõe um contraponto com as conquistas dos quase oito anos do governo Lula.

"É o Brasil do PAC Programa de Aceleração do Crescimento. O Brasil do Pré-Sal. O Brasil do Bolsa Família. É o Brasil do Minha Casa, Minha Vida, que vai continuar enfrentando o problema da moradia, sobretudo para as famílias de baixa renda", diz e, também em um recado aos eleitores verdes de Marina Silva, observa que "nosso desenvolvimento continuará sendo ambientalmente equilibrado, como demonstram os êxitos que tivemos no combate ao desmatamento e na construção de alternativas energéticas limpas."

"Os alicerces de um grande Brasil foram criados. Mais que isso, muitas das paredes desta nova casa já estão erguidas. Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e no campo a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios", conclui o manifesto.