Deputados eleitos por quociente dispensam ajuda de Tiririca

Parlamentares que devem chegar à Câmara dos Deputados graças à votação de mais de 1 milhão e 300 mil eleitores em Tiririca evitam a vinculação de sua vitória com a do humorista. Protógenes Queiroz (PCdoB) e Vanderlei Siraque (PT) pensam nos projetos para o mandato e atribuem à própria votação a vaga conquistada. O deputado Otoniel Lima (PRB) não quis comentar.

O quociente eleitoral em São Paulo (total de votos necessários por uma cadeira na Câmara) foi de 304.533 votos. Sendo assim, os votos de Tiririca divididos por esta soma dão 4,4 vagas no parlamento. Além de si, o humorista acabou elegendo três companheiros de coligação, que podem até perder a vaga, caso ele seja declarado analfabeto e sem aptidão para o cargo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Famoso pela atuação na Operação Satiagraha, o delegado Protógenes nega ter entrado no vácuo da imensa votação de Tiririca. "Contabilizando os votos que a frente fez sem os do humorista, chegamos a quase 7 milhões de votos, com direito às 24 cadeiras conquistadas", diz. Segundo ele, ocupa a 23ª cadeira e, por isso, não estaria ameaçado por uma eventual nulidade de seus votos. O policial cita o caso do ex-governador Paulo Maluf (PP), que pode ter o mandato impugnado devido à lei da Ficha Limpa. "O que pode nos tomar uma das 24 cadeiras é se porventura os votos nulos, do PP, dados ao Paulo Maluf, forem válidos", disse.

O nome Maluf também foi lembrado pelo petista Vanderlei Siraque. Ele declarou não ter "nenhum incômodo" pela ameaça da anulação dos votos de Tiririca, que poderiam lhe valer a perda da vaga. "A verdade é que o palhaço roubou muitos dos meus votos em Santo André. Eu certamente teria sido mais votado na minha cidade se não fosse ele. Temos é que esperar que cassem Maluf e os fichas-sujas para que entrem os fichas-limpas", disse. Procurado pela reportagem, Paulo Maluf disse, por meio de sua assessoria, que só se pronuncia após o julgamento do TSE.

Projetos

Independente dos processos judiciais, os deputados se preocupam com o futuro e em fazer mandatos propositivos. Protógenes prepara uma lei para punir corrupção por agente eleitoral com o mesmo rigor com que se pune crimes contra a pessoa, com penas que variam entre 12 e 30 anos, e em tornar mais rápida a recuperação do dinheiro público. "Existem outros projetos, mas nenhum reúne toda a realidade brasileira", diz.

Siraque se concentra em projetos que melhorem a qualidade da segurança pública, como a proibição do comércio clandestino de peças para reprimir o desmanche de automóveis. "Temos dificuldade de identificar se uma peça é roubada ou não. Para evitar o problema, vamos acabar com este comércio", diz.