No 2º turno, Serra precisa reaproximar aliados e atrair PV

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, começa o segundo turno com os desafios já traçados. Além de atrair o eleitorado de Marina Silva (PV), o tucano precisa direcionar forças para reaglutinar seu partido e reaproximar seus principais aliados da coligação "O Brasil Pode Mais". Ao longo do primeiro turno, o tucano foi progressivamente ficando isolado, seja por conta dos cenários estaduais ou por dificuldades na interlocução dos aliados com o candidato.

Em seu discurso na noite deste domingo (3) na festa do partido em São Paulo, Serra deu o sinal para a conquista dos verdes: parabenizou a adversária do PV pelo resultado expressivo nas urnas e ainda por ter aproximado os jovens da política brasileira. "Quero cumprimentar a Marina pela votação expressiva e dizer que ela contribuiu para o jogo democrático no Brasil". No mesmo pronunciamento, aproveitou também para agredecer seus aliados de primeira hora.

Mas Serra travou a batalha pelo segundo turno de maneira quase solitária. O núcleo político do partido interveio pouco na estratégia da campanha e grande parte das orientações político-eleitorais partiram dele próprio e de seu braço direito, o marqueteiro Luiz Gonzalez. O PSDB acredita que o segundo turno vai reaproximar naturalmente as lideranças estaduais que se voltaram prioritariamente para as próprias campanhas e chegaram a esconder Serra em suas propagandas na TV. Mas, admitem que o modus operandi do candidato contribui para afastar os que desejariam colaborar.

Entre os aliados cuja relação se desgastou ao longo da campanha, está o presidente de seu partido e coordenador nacional de sua campanha, Sérgio Guerra (PE), eleito deputado federal. Serra afirmou a interlocutores que o pernambucano tinha dificuldade para operacionalizar as decisões tomadas pela direção. Já nesta semana haverá uma oportunidade para, se quiserem, Serra e Guerra começarem a reatar os laços esgarçados. O senador pernambucano passará por São Paulo para discutir com o candidato os próximos passos da campanha, e juntos estabelecerem as estratégias do início de diálogo com o PV.

 

A última rusga exposta antes do segundo turno foi o racha com o presidente do PTB, Roberto Jefferson. O petebista declarou voto no socialista Plínio de Arruda Sampaio, depois de liberar seus liderados, há quase um mês, para fazer campanha pelos presidenciáveis que lhes fossem convenientes. Jefferson reclama, desde o início de agosto, da falta de interlocução com o candidato e da falta de contrapartida financeira para a campanha do PTB, prometida, segundo afirma o petebista a aliados, quando costurada a parceria.

 

Falta ainda recompor a conversa com o DEM, partido do vice de Serra, Índio da Costa. A relação do candidato com o presidente seu mais próximo aliado, o deputado carioca Rodrigo Maia, foi dinamitada no processo de escolha do vice da chapa presidencial, em junho. O PSDB levou o nome de Álvaro Dias aos aliados e o DEM se sentiu preterido. Foi Maia quem concentrou a expressão do mal-estar do partido, costurou o afastamento de Dias e ameaçou abandonar a coligação - ameaças afastadas com a escolha de Índio.

 

O elo entre Serra e DEM continua a ser sustentado pelos bombeiros que atuam em momentos de crise, como Aécio Neves e Sérgio Guerra. Mais ultimamente, o contato tem se restringido ao prefeito Gilberto Kassab e a Índio da Costa. O carioca passou o dia da votação ao lado de Serra, a pedido do candidato, e deve permanecer na capital paulista até terça-feira para se inteirar dos rearranjos na campanha para o segundo turno.

 

´ Serra também tem algum trabalho de reaproximação a fazer com o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, Aécio Neves, e com Tasso Jereissati, senador cearense derrotado na reeleição. Desde o começo da campanha, ambos davam todos os sinais de que não concordavam com a candidatura do ex-governador de São Paulo, e Aécio defendeu a realização de prévias no partido para a escolha do candidato tucano. As divergências deixaram rastro, e só depois de algumas semanas os programas eleitorais do PSDB mineiro começaram a mostrar Serra. Agora, líderes próximos a Serra acreditam que o segundo turno abre a possibilidade de uma maior participação de Aécio na campanha. O mineiro já está eleito e garantiu seu sucessor Antonio Anastasia para o Palácio mineiro.

 

Assim como tem sido com Aécio, Serra também enfrentou dificuldades com o presidente de honra de seu partido e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Pesquisas do núcleo de marketing da campanha apontam que a baixa popularidade com que FHC deixou o governo seria prejudicial para Serra e poderia afastar eleitores. O núcleo político da campanha discorda da estratégia e pretende intervir mais nas estratégias eleitorais a serem adotadas a partir de agora.