Manuela d'Ávila bate novo recorde de votação

A deputada federal gaúcha Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) consolidou de vez a fama de fenômeno eleitoral. Aos 29 anos, completados em agosto, ela é, de novo, a deputada federal mais votada do Estado, a exemplo do que aconteceu em 2006, quando disputou seu primeiro mandato para a Câmara. É também a recordista da região Sul do País. E a quarta do Brasil - atrás de Tiririca (PR-SP), Antony Garotinho (PR-RJ) e Gabriel Chalita (PSB-SP).

Em 2006, Manuela fez 271.939 votos. Agora, quase chegou aos 500 mil. No total, 482.590 eleitores a escolheram nestas eleições. Sozinha, Manuela fez 8,06% dos votos. Para se ter uma ideia, o segundo federal mais votado pelo Rio Grande do Sul, o deputado Beto Albuquerque (PSB), amigo de Manuela e aliado de diversos pleitos, fez 200.476.

Uma série de candidatos sonhava com 10% do que a comunista obteve nas urnas. Se ela esperava o novo recorde? Não. Temia, inclusive, fazer menos votos do que na eleição passada. Agora, seu desempenho ajudou a "puxar" outros três aliados. Beto garantiu-se com a votação própria. Mas Assis Melo (PCdoB), José Luiz Stédile (PSB) e Alexandre Roso (PSB) fizeram menos de 50 mil cada. Roso, que ocupará a 31ª vaga na Câmara, elegeu-se deputado com 28.236 votos.

Os desempenhos estrondosos, contudo, não são novidade na trajetória de Manuela. Ela chegou à Câmara Federal aos 25 anos, direto de um mandato na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, sem fazer escala na Assembleia Legislativa. Nas eleições municipais de 2008, quando encabeçou uma chapa composta também pelo PSB, o PPS e os nanicos PTN, PMN, PTdoB e PR, disputou a prefeitura da Capital, Porto Alegre. Não chegou ao segundo turno, mas assustou os dois principais candidatos: a deputada federal Maria do Rosário (PT) e o candidato recém derrotado do PMDB ao governo do Estado, José Fogaça, que venceu aquela eleição.

Com o resultado obtido no domingo (3), a possibilidade de que Manuela volte a disputar a prefeitura em 2012 ganha força. Mas com seu partido aliado ao PT na chapa majoritária que venceu as eleições em primeiro turno para o governo do Estado, tendo o petista Tarso Genro à frente, a deputada não quer falar no assunto. Em entrevista ao Terra, desconversou: "eu vivo um dia de cada vez".

Terra: Como você recebeu o resultado?

Eu estou ainda nervosa. Não esperava. Mesmo. E ainda nem tive tempo de avaliar todas as cidades.

Terra: Ao que você atribui este novo recorde?

Acho que são várias coisas, não tem como dizer que há apenas uma explicação. Já sei, por exemplo, que tive uma votação muito expressiva em Porto Alegre. Mas acredito que há elementos do meu trabalho que correspondem às expectativas da população, um trabalho que foi posto à prova e aprovado. Há os nossos movimentos políticos e os dos aliados. Há o papel da própria candidatura e da campanha do Tarso, absolutamente sintonizada. Tem o fato de eu desde sempre ter trabalhado para fazer crescer o meu partido.

Terra: E agora, quais os planos para o próximo mandato? Quais serão suas prioridades?

Vou continuar trabalhando e ainda tenho um outro desafio imediato: dentro das minhas possibilidades, ajudar a eleger a Dilma presidente do Brasil. Tenho uma série de projetos que quero continuar debatendo. Eles dizem respeito a juventude, a direitos dos trabalhadores. E há coisas daqui para a frente também. Nós, deputados, fiscalizamos o governo, e vivemos um determinado momento político. Há aí um momento mais avançado, de reformas estruturantes. Quero ser parceira nesta construção.

Terra: Você é jovem, bonita e está entre os deputados federais mais votados do país, em uma lista que tem o palhaço Tiririca e Antony Garotinho. Muitos concorrentes já afirmam que o resultado mostra que estas eleições foram despolitizadas, argumento que vinha sendo utilizado ainda durante a campanha. Você discorda dele?

A eleição não foi despolitizada. É que quando a população sabe o que quer, algumas campanhas não aparecem. Eu acho a população muito exigente. Acho que o nosso povo amadureceu, e a democracia também. Na vitória do Tarso, por exemplo, pesou o grau de politização do povo. Querem um projeto que devolva a dinâmica econômica produtiva.

Terra: Sua votação já trouxe de volta as especulações sobre a possibilidade de que volte a disputar a prefeitura de Porto Alegre daqui a dois anos. É esta a sua vontade?

Eu mal tive tempo de avaliar o resultado desta eleição. Temos um desafio que é construir a unidade no Rio Grande e eleger Dilma no Brasil. Falar de 2012 é muito longe. Acho que a gente deve viver um dia de cada vez.

Terra: Você vai fazer uma pausa agora para descansar?

Por estes dias, não. Sigo nesta terça-feira (5) para Brasília porque sou relatora de uma medida provisória que regula os créditos destinados a enchentes. Devo descansar no feriado.