No RS, Dilma Rousseff prioriza agenda particular

A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, conseguiu manter sua já conhecida privacidade até mesmo nas horas que antecederam o início da votação e durante uma parte deste dia 3 de outubro. Dilma, que chegou a Porto Alegre na tarde do sábado, seguiu do aeroporto direto para seu apartamento na rua Copacabana, na zona Sul da capital gaúcha.

Durante o sábado, não se abalou com a movimentação dos jornalistas em frente ao prédio (de uma das profissionais recebeu até flores). Também optou por não participar da caminhada final da campanha do petista Tarso Genro, que disputa o governo do Rio Grande do Sul, realizada no final da tarde de sábado no bairro Cidade Baixa.

Permaneceu em casa e, mesmo com os jornalistas, a rotina do prédio (uma construção pequena, de cinco andares, em uma rua sem movimento) não sofreu alteração significativa. À noite, visitou o ex-marido, o advogado Carlos Araújo, que também reside na zona Sul (os apartamentos de Dilma e da sua filha, Paula, e a casa de Araújo são todos próximos, em trajetos que podem até ser percorridos a pé).

Na manhã de domingo uma Dilma sorridente chegou ao hotel Plaza São Rafael, onde havia ficado hospedada sua comitiva, e onde aconteceu o café da manhã conjunto com Genro. Aos jornalistas, a petista disse estar tranqüila por ter "lutado a boa luta" e fez uma série de agradecimentos: à militância, aos companheiros candidatos, ao povo brasileiro, a Deus e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do café, em companhia de Genro, do senador Paulo Paim (PT), candidato à reeleição, e de dezenas de candidatos a deputado federal e estadual, seguiu para a Escola Estadual Santos Dumont (também na zona Sul de Porto Alegre), onde ela e Genro votaram. A movimentação de jornalistas, militantes e curiosos era tanta que Dilma teve dificuldade de sair da van em que chegou e, depois, de embarcar no carro que a conduziu de volta a sua casa. Na hora de votar, o corredor da sala onde ela escolheu seus candidatos foi fechado.

Na sala, Dilma aguardou enquanto duas pessoas que já estavam no local votavam. Quando voltou para o carro, ainda concordou em autografar uma bandeira do PT a pedido de uma militante. Mas acabaram aí suas agendas públicas em Porto Alegre.

De volta ao apartamento da rua Copacabana, Dilma lanchou e descansou, acompanhada apenas por assessores. Permaneceu em casa por cerca de duas horas e seguiu para o apartamento da filha Paula na rua Cariri, onde ficou por mais uma hora. Durante a passagem por Porto Alegre, em duas ocasiões (na noite de sábado e no domingo pela manhã) conversou com o presidente Lula pelo telefone. Ele lhe desejou boa sorte, segundo a candidata.

No caminho para o aeroporto, sua comitiva se restringiu a mais um carro ocupado pelos integrantes da Polícia Federal encarregados de sua segurança. Sem sirenes, batedores ou mesmo guardas para desafogar o trânsito, passou incógnita por ruas e pontos tradicionais, como a avenida Beira Rio, o Largo Zumbi dos Palmares, o entorno do Parque da Redenção e o Túnel da Conceição. Bem antes, assessores e equipe já haviam sido despachados para o aeroporto.

Já no aeroporto, dirigiu-se de carro para o terminal antigo, onde acontecem os embarques e desembarques dos vôos fretados. A última imagem de Dilma em solo gaúcho (como candidata) é a de uma senhora vestida com elegância (blusa vermelha com casaco cinza) caminhando sozinha, e devagar, por causa da lesão nos ligamentos, até a aeronave. Não fossem de novo os jornalistas, Dilma passaria mais uma vez incógnita, como nos tempos em que residia no Rio Grande do Sul.