Mesmo com policiamento, moradores tentam vender votos em Roraima

Os moradores dos bairros periféricos de Boa Vista, capital de Roraima, passaram a véspera da eleição em frente de suas casas, nas esquinas e paradas de ônibus aguardando a oportunidade de vender seus votos.

Durante a madrugada, nas ruas e becos dos bairros mais afastados, pequenos grupos aguardavam a passagem dos candidatos ou cabos eleitorais com dinheiro, cestas básicas ou presentes. Apesar do policiamento ostensivo da Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar, eles não tinham vergonha de mostrar claramente que estavam ali para vender o voto.

"Moça, um dinheirinho aí para passar a eleição", gritou uma moradora do Conjunto Cidadão, um dos bairros mais afastados do centro da cidade ao ver o veículo da reportagem. Ela, juntamente com os vizinhos, aguardava a chegada das pessoas que sempre levam notas de R$ 50,00 ou R$ 100,00 enroladas em santinhos e jogam para aqueles que têm paciência de aguardar.

"Nós sempre ficamos acordadas na véspera da eleição. Este ano ficou mais difícil que a PF está direto, mas de manhãzinha não tem mais ninguém. E hoje moça estou vendendo baratinha faço até por R$ 20,00", contou despreocupadamente a dona de casa Jandira Lopes, 25. Ela disse que é um hábito nas eleições este tipo de prática.

A maioria dos moradores estava com crianças pequenas e até mesmo bebês e não se intimidavam com a presença do policiamento ou da reportagem. "Este ano está demorando mais do que os outros, porque tem muita polícia rondando aqui e 'eles' não estão entrando no bairro. Mas vamos ficar aqui até ganharmos algo", explicou o motorista Joao Filirmino.

A espera durou até 5h da manhã deste domingo e como forma de despistar o policiamento, os candidatos utilizavam motocicletas para entregar dinheiro aos moradores.

"Eles negociam sua dignidade, seu voto e depois vem querer cobrar estrada, escola, asfalto", disse um policial federal que estava vistoriando veículos e preferiu não ser identificado.

O capitão Antônio Carlos, oficial da Polícia Militar que estava no comando da operação na véspera da eleição, explicou que a prática de aguardar nas madrugadas dinheiro de candidatos é rotineira em Roraima.

"Os moradores desses bairros periféricos acham que está dentro da normalidade oferecer seu voto nas esquinas. Fizemos revistas ostensivas nos carros que passavam por esses bairros, mas não conseguimos pegar nenhum veículo com dinheiro. A ação da polícia coibiu a prática este ano", explicou.