Brasileiros votam pela segunda vez em Ramallah

 

Desde às 8h da manhã (3h em Brasília), quase trezentas pessoas já votaram em Ramallah, cidade palestina com forte presença de brasileiros. Os eleitores que vivem na cidade e em outras regiões dos territórios palestinos votam em três seções eleitorais. De acordo com o escritório diplomático em Ramallah, 886 eleitores estão aptos a votar este ano, embora a lista oficial, publicada no site da representação, contenha apenas 439 nomes.

A eleição deste ano é a segunda desde a abertura do escritório, em 2004. Em 2006, 824 brasileiros que vivem nos territórios palestinos votaram. Antes, brasileiros residentes na região não tinham como votar - como ainda ocorre na Faixa de Gaza, onde não há representação diplomática do Brasil. Cidadãos em Gaza são proibidos por Israel de cruzar a fronteira para votar em Tel Aviv ou em Ramallah.

Em entrevista ao Terra, a embaixadora Ligia Maria Scherer, chefe do escritório em Ramallah, contou do trabalho de aproximação com a comunidade brasileira e se disse "contente com a afluência de brasileiros" ao votar. Em alguns momentos da manhã houve filas nas duas salas destacadas para as votações. A diplomata disse que "há um espírito muito patriótico" entre os eleitores.

Entretanto, entre os brasileiros que esperavam para votar, a maioria não se mostrou muito ligada ao Brasil. Natural de Jataí (GO), Hanan Ezbe Abdallah vive há 15 anos em Ramallah. Ela disse que também votou em 2006, mas "porque é obrigatório". Ao ser perguntada sobre o Brasil, ela contou que não voltou ao país desde que se mudou para Ramallah, em 1995. Hanan é casada com um árabe-americano e tem quatro filhos. Ela compareceu à seção eleitoral com a irmã, In'ham, que vive há 14 anos em Ramallah e disse também que vota "por ser obrigatório".

Aos 18 anos, Fairuz Irshed, de Chuí (RS), vive há um ano em Ramallah e estuda nutrição na Universidade Birzeit. Ela acompanhou a irmã, Jalila, à zona eleitoral, mas contou que não pode votar porque não tirou o título quando ainda vivia no Brasil. Disse, contudo, que gostaria de votar. Ao deixar a urna, Jalila, que vive na cidade há 27 anos, contou que vota pela segunda vez. "Eu já vim preparada e sabia em quem ia votar", afirmou.

Vivendo há oito anos em Ramallah desde que deixou Uruguaiana (RS), Ghana Kanan registrou seu voto e contou que também votou em 2006. "Já que posso, e não estou doente, por que não votar?", perguntou-se, rindo. De acordo com estimativas recentes do Itamaraty, há cerca de 4 mil brasileiros vivendo em Ramallah e em cidades palestinas vizinhas, como Jericó, Nablus e Betunia. A maioria trabalha no comércio, em pequenas empresas e na agricultura. O número não inclui brasileiros na Faixa de Gaza - o dado não é conhecido.

Embora no Brasil a apresentação de documento com foto - como RG, carteira de trabalho ou de habilitação com foto ou passaporte - seja suficiente para votar, em Ramallah os eleitores precisam trazer também o título de eleitor. Mas, segundo o conselheiro do escritório em Ramallah, Ricardo Leal, houve casos durante a manhã de pessoas que chegaram sem o título. "Estamos aceitando pessoas nessas situações", disse.

Houve também casos de brasileiros que apareceram sem a documentação eleitoral em dia, portando apenas o passaporte e pedindo para votar. Nesses casos, a votação não foi permitida.