Antes do amanhecer, brasileiros fazem fila para votar em Paris

O dia ainda mal tinha clareado em Paris, neste domingo (3), quando cerca de 30 pessoas aguardavam a abertura do consulado-geral do Brasil para votar na eleição presidencial. Entre elas, havia eleitores expatriados há décadas e que voltaram a participar das eleições, depois de muitos anos de ausência nas urnas.

"A cada vez que eu visitava o Brasil, voltava para a França com um sentimento de tristeza porque a diferença da vida aqui e no Brasil era imensa. Eu não via as coisas mudarem lá", explica a eleitora Eliane Vieira Manhãs. "Mas, nos últimos anos, as mudanças são evidentes, o que me deu vontade de votar novamente".

Eliane chegou ao local antes da abertura das portas do consulado, ocorrida às 8h (3h no horário de Brasília). Ela conta que, para um expatriado, o abandono das eleições é muito mais fácil do que para alguém que mora no Brasil, onde a eleição é uma presença contínua na vida dos eleitores meses antes da votação. Há 23 anos, ela deixou o País para estudar na França e desde então não participava mais das eleições.

Este também era o caso da consultora em informática Sandra Almeida Loureiro, 36 anos, que vive há 17 na capital francesa. "Desta vez, eu faço questão de participar, e espero que continue assim nas futuras eleições. A motivação é totalmente diferente quando se vê que o País está evoluindo", afirmou.

Sandra era a segunda pessoa da fila formada em frente ao consulado, na avenida Franklin Roosevelt, a poucos passos da famosa avenida Champs-Elysées. A maioria dos eleitores que chegaram tão cedo tinha compromissos durante o domingo. Moradora de Toulouse, Sandra chegou na noite anterior em Paris, especialmente para votar.

À frente dele na espera pela votação, a dona de casa Flávia Pereira também fez esforços para participar do processo de eleição do novo presidente do Brasil: teve de sair às 4h da cidade onde mora, no norte da França, para vir de carro a Paris votar e em seguida retornar a Caen, onde tem um evento para participar. "Espero que não tenha segundo turno, mas se tiver, virei de novo", disse. "É importante manter este vínculo com o nosso País. É um dever cívico que cumpro com prazer".

O consulado brasileiro em Paris tem 3.954 pessoas registradas, que são divididas em 11 seções eleitorais. Das 11 urnas eletrônicas enviadas à França, uma apresentou defeitos e foi substituída pelo voto manual, em papel. Para votar, é necessário transferir previamente o título de eleitor da seção original, no Brasil, para a seção parisiense. O prazo para este procedimento está encerrado desde maio. O eleitor recebe um novo título e precisa apresentar também um documento com foto para poder votar.

Na França, a eleição acontece das 8h (3h em Brasília) até às 17h (12h em Brasília). O processo só é finalizado depois que todos os eleitores que estiverem na fila até pontualmente às 17h tiverem votado. Ao final da votação, as urnas eletrônicas emitem os seus resultados e os votos da seção com votação manual são contados por mesários. "Os votos em papel são lacrados na urna e enviados ao Brasil, onde são recontados, para confirmação do resultado", explicou o consul-geral-adjunto de Paris, André Santos.

Os resultados finais serão exibidos em frente ao consulado ao final da contagem, que deve acontecer antes mesmo do final da eleição no Brasil, devido à diferença de cinco horas de fuso-horário.