Gabeira é bem recebido em caminhada na Lapa

 

Se a eleição para o governo do Rio de Janeiro fosse decidida à noite na Lapa, Fernando Gabeira (PV) teria boas chances de ser eleito. Embora esteja mais de quarenta pontos percentuais atrás do governador e candidato à reeleição Sérgio Cabral (PMDB) nas pesquisas, ao longo do bairro boêmio do Centro, o verde foi saudado, abraçado e teve seu nome gritado mais do que em qualquer momento de sua campanha, na noite desta sexta-feira para sábado.

Gabeira chegou à Lapa por volta das 23h e deixou o local após a meia-noite, ampliando o trajeto original, da avenida Mem de Sá e a rua Visaconde de Maranguape, em frente aos Arcos e ao Circo Voador, para a paralela rua Joaquim Silva, escondida atrás de casarões e que concentra um público ainda mais alternativo, além de diversos depósitos de camelôs que trabalham na noite.

Ali, em menos de 50 metros, ele foi parado mais de dez vezes para tirar por grupos de amigos e vendedores, que faziam questão de identificá-lo com a atmosfera local. "A Lapa é um local que reúne pessoas totalmente diferentes. e o Gabeira... Eu acho que ele tenta ser assim na política", afirmou a estudante de jornalismo Clarisse Gomes, de 20 anos.

"Sempre venho à Lapa na última sexta-feira das minhas campanhas antes de acabar o programa eleitoral da TV, mas semana passada não deu porque choveu, então vim hoje. Vejo que tenho uma grande aceitação aqui, porque há muita juventude e mais gente ligada à ecologia, ou mais próxima do 'mundo alternativo', com o qual ainda tenho alguma ligação", explicou o candidato, cujos hábitos, curiosamente, são bem diferentes aos da boêmia local, já que costuma acordar antes das 6h para praticar natação.

Além de declarações de voto, algumas pessoas fizeram reivindicações, caso da atriz Ketryn Magrini, 21, que reclamou das condições de Escola Estadual de Teatro Martins Pena, onde estuda. "Está abandonada, o teatro sempre sujo", disse.

Morador de Engenheiro Pedreira, distrito do município de Japeri, na Baixada Fluminense, o montador de equipamentos cenográficos William de Abreu, 20, pediu melhorias nos transportes. "Preciso acordar às 4h para chegar às 7h no trabalho, na Central Globo de Produção (em Jacarepaguá), onde eu trabalho, pegando um trem até Nova Iguaçu (também na Baixada) e um ônibus de lá. Além disso, só tem um ônibus para a Central e mais nada. É muito precário", protestou.

Ao lado de Gabeira, o deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha, que tenta o terceiro mandato consecutivo, ironizava sua própria condição "careta" de típico engenheiro civil em relação ao "descolado" companheiro de campanha. "Eu sou um senhor formal", disse de si mesmo, rindo. Durante a caminhada, eles se encontraram por acaso e cumprimentaram o candidato do PCB à presidência da república, Ivan Pinheiro, bem menos festejado.