Eleição presidencial ganha destaque na imprensa internacional

A um dia da eleição que elegerá o novo presidente do Brasil, o assunto ganha destaque também na imprensa internacional e foca a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na escolha do eleitorado. O site da rede americana CNN traz a imagem da petista Dilma Rousseff (PT) e fala sobre a possibilidade de "a ex-guerrilheira marxista" ser a primeira mulher a comandar o País.

De acordo com a reportagem, Dilma é a sucessora escolhida a dedo pelo presidente Lula que tem 80% de aprovação em seu governo, o que colabora para a opção dos eleitores. A matéria traz o depoimento de um morador do Rio de Janeiro que irá votar em Dilma, "não muito pela candidata, mas porque o presidente pediu".

A CNN fala ainda sobre as ações do governo federal que, nos últimos oito anos, ajudaram mais de 20 milhões de brasileiros a saírem da pobreza e atenta para o fato de o Brasil ter a oitava maior economia do mundo. Segundo a publicação, Dilma era pouco conhecida no País até ter sido escolhida por Lula para ocupar o cargo de ministra de Minas e Energia e, posteriormente, ministra chefe da Casa Civil.

Sob o título "Rousseff 'voa' para a presidência do Brasil graças ao carisma de Lula", o jornal espanhol El País avalia que a candidata escolhida pelo presidente segue sem explicar suas propostas. A reportagem traz uma análise do debate ocorrido na última quinta-feira (30) na Rede Globo.

Para o periódico, o debate frustrou os eleitores já que Dilma e José Serra (PSDB) - classificado como o candidato mais forte da oposição, se ignoraram "até o ponto de não fazerem perguntas entre si". Segundo a reportagem, os temas mais quentes da campanha, entre eles, os escândalos de corrupção do governo, foram deixados de lado. "O medo de enfrentar a candidata que as pesquisas sondam como a provável ganhadora converteu o tão esperado duelo em uma conversa entre freiras", classificou um analista ao El País.

A candidata do Partido Verde, Marina Silva, também foi citada por não fazer perguntas a petista. Além disso, a matéria afirmou que os eleitores ainda conhecem as propostas de Dilma porque "ela sempre responde as perguntas sobre seus projetos com o que foi feito pelo presidente Lula".

A reportagem diz ainda que a grande dúvida é se Lula continuará governando mesmo que "às sombras", caso Dilma seja eleita. Além disso, é questionado se ela conseguirá segurar a pressão da ala mais radical do Partido dos Trabalhadores, assim como fez Lula, "em todas as vezes que tentaram atacar sua política macroeconômica".

Assim como a CNN, o britânico The Guardian também atenta para a possibilidade de Dilma se tornar a primeira mulher presidente do Brasil. A matéria traz uma breve biografia da candidata com depoimentos do amigo e ex-prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel. "Ela é uma leitora ávida, com uma enorme curiosidade intelectual. Ela lê tudo, desde clássicos como Proust a livros sobre macroeconomia", afirmou Pimentel.

A reportagem citou ainda Marina Silva e avaliou o poder do voto das mulheres nestas eleições. "O voto feminino é absolutamente estratégico para definir se haverá um segundo turno ou não", disse a socióloga brasileira Fátima Pacheco Jordão em entrevista ao jornal. José Serra também foi citado pelo periódico como o principal adversário de Dilma. Segundo a publicação, as críticas proferidas pelo tucano durante a campanha "não devem alterar o resultado das eleições".