Distância e falta de dinheiro afastaram PTB da campanha tucana

Por trás do anúncio feito nesta última sexta-feira, no Twitter, de que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, vai votar no socialista Plínio de Arruda Sampaio (Psol) - e não em José Serra, do PSDB, partido com o qual o PTB está coligado - há uma longa história de descontentamento e desavenças. O presidente do PTB tem afirmado a interlocutores que se sentiu usado pelos tucanos ao entregar seu tempo de TV à coligação tucana sem ganhar nenhuma contrapartida, seja ela financeira, seja em termos de influência nos rumos da campanha do candidato Serra. "Não há volta", disse Jefferson hoje a amigos.

Há cerca de um mês, Jefferson já tinha liberado seus colegas de partido para votar no candidato presidencial que quisessem. Agora, revelou no microblog Twitter que seu voto vai para um candidato de esquerda - "Plinio terá meu voto pessoal para presidente do Brasil", escreveu. Em outra declaração, elogiou o socialista e afirmou ter se sentido "tocado" pelo seu discurso no último bloco do debate entre os presidenciáveis realizado pela Rede Globo nesta quinta-feira, 30. "Plinio mostrou a força de terceira idade. Idealista, corajoso, fina ironia, coletivo, partidário. Me tocou seu brado pelo Brasil".

Roberto Jefferson é tido como aliado indigesto por ter tido seu mandato cassado por envolvimento no escândalo do Mensalão. Ele fez as primeiras denúncias sobre o episódio que abateu o governo Lula em 2005. Informações da época davam conta de que o PT teria prometido pagar dívidas de campanha do PTB e não o fez. O descumprimento do combinado teria motivado as denúncias do petebista.

Aliados de Jefferson afirmam que o alvo direto do seu descontentamento é a direção da campanha de Serra que, segundo ele, não teria feito nenhum esforço para aglutinar os aliados em torno de sua candidatura. A crise já se prenunciava desde agosto, quando Jefferson passou a publicar críticas ao rumo da campanha tucana via Twitter e a insistir, por meio de Sérgio Guerra, coordenador nacional da campanha, em ter uma conversa com Serra.

"Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu", escreveu ele no microblog ainda em agosto. Não poupou também o jornalista Luiz Gonzalez, responsável pela estratégia de marketing da campanha:

"Curioso é o olhar enfarado e apressado do Gonzalez quando vê um político. Mas não se faz política sem políticos. Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela fake, nem o 'bobajol do Zé' (referindo-se ao jingle do tucano). O Lula, nosso adversário, conversa com os políticos. Com todos os políticos. Não se deixa patrulhar pela mídia", escreveu o presidente do PTB.

Os tucanos alegam que o petebista está insatisfeito por não ter recebido os recursos prometidos - por integrantes da coordenação da campanha do PSDB - na negociação da aliança. "Os acordos não foram cumpridos de ambas as partes", afirmou Jefferson ao Terra.

Ele faz questão de ressaltar a boa relação que mantém com o candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin. E destaca também o protagonismo do paulista na construção da aliança nacional PSDB-PTB.

Os tucanos, no entanto, avaliam que Roberto Jefferson não deveria ter se pronunciado em determinados momentos críticos da coligação - por exemplo, durante a crise com o DEM provocada pela escolha do candidato a vice-presidente de Serra, que terminou sendo o deputado carioca Índio da Costa.

Na ocasião, o petebista criticou a escolha de Índio e defendeu o paranaense Álvaro Dias para a posição. Jefferson também é critico contumaz da ausência de Fernando Henrique Cardoso na campanha e vem reclamando publicamente - e com frequência - da falta de diálogo com Serra. O petebista alega que se pronunciou nessas situações mais delicadas para tentar estabelecer algum diálogo com o candidato tucano.