Além das pesquisas: confira a evolução estética dos candidatos

Durante três meses de campanha, os candidatos à presidência da República se tornaram, de certa forma, celebridades. Em caminhadas ou comícios, é para fazer os melhores registros deles que os fotógrafos se acotovelam. Os eleitores também disputam espaço, só que para cumprimentá-los e, muitas vezes, fazer pedidos ou reclamações. Mas qual a imagem que Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda (Psol) passam aos eleitores?

Nessa questão, a eleição é polarizada. Há quem fez cirurgia plástica; quem, mesmo de azul, ficou mais abatido durante a campanha; quem acabou usando maquiagem - mesmo tendo alergia ao pó; e quem prefere ficar confortável com uma blusa de tricô em um dia frio de campanha.

De certa forma, de um ano pra cá, (quase) todos mudaram esteticamente. O Terra pediu para o stylist Arlindo Grund, um dos apresentadores do programa Esquadrão da Moda, no SBT, analisar a imagem dos candidatos, desde 2009 até os últimos meses. Afinal, planos de governo à parte, o que os olhos não veem, o coração não sente.

Dilma Rousseff (PT) 

A candidata do presidente Lula não só precisou de um intenso treinamento para melhorar seus discursos, como também passou por uma recauchutagem em todos os sentidos. Há um ano, Dilma estava se recuperando de um linfoma. Por conta do tratamento, seus cabelos caíram e ela lançou mão de uma peruca. Depois de passar por uma cirurgia plástica, foi mais fundo. Deixou os cabelos crescerem, optou por um corte "moderno" feito por um famoso cabeleireiro, deixou de lado as roupas com babados e adotou uma "pegada clássica", como define Arlindo. Pose de... presidenta. "Vamos ver agora o que o Alexandre Herchcovitch vai fazer com o figurino da Dilma", lembra o stylist da colaboração recente do estilista.

José Serra (PSDB)

"Do (evento) mais formal ao corpo a corpo, Serra está sempre fiel ao seu estilo bem clássico, o que não poderia ser diferente", afirma o stylist. Desde quando era governador de São Paulo, Serra realmente não mudou muito. O azul do PSDB sempre está estampado de alguma forma, seja na gravata ou na camisa do candidato. "O melhor de tudo é que Serra ganhou e muito sendo o azul a cor do seu partido. Imagina ele de laranja, por exemplo?", questiona Arlindo. Para o stylist, o tucano passa uma imagem "clássica" e com estilo "impecável", mesmo aparentando um semblante cansado - o que ele sempre nega, dizendo estar com mais energia do que nunca - e usando um estilo um pouco mais informal em caminhadas.

Marina Silva (PV)

A senadora mudou a conta-gotas. A candidata acreana sempre abusou dos xales e colares artesanais. Mas, como candidata, foi além. Depois de muito relutar, Marina começou a usar maquiagem - o que sempre tentou evitar por ter alergia a produtos de beleza. Tentando passar uma imagem mais leve, alisou o cabelo e optou por roupas mais justas. "A etnia não poderia deixar de estar presente nos figurinos da candidata. Mas esse estilo não era muito marcante no começo. Depois que Marina se libertou daquelas armações ovais parece que tudo mudou", diz Arlindo, referindo-se aos antigos óculos que a acompanhavam no Senado.

Plínio de Arruda Sampaio (Psol)

Aos 80 anos, Plínio destila ironia nos debates, mas, para Arlindo, ainda sofre "forte influência clássica dos anos 80" quando o assunto é seu visual. "Plínio usa calças de cintura altíssimas, gola rolê e tricôs de pontos super abertos, que são ícones da década citada", explica. Quando tem entrevista, debate ou jantar, o candidato prefere um tom mais sério, com terno e gravata. Regra sem exceção durante a campanha.