STF pede investigação sobre suposta negociação na Ficha Limpa

Brasília -  Supremo Tribunal Federal (STF) informou nesta sexta-feira (1º) que, a pedido do ministro Carlos Ayres Britto, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, irá investigar a denúncia de que o genro do magistrado, Adriano Borges, teria negociado com o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, a inclusão dele na banca de defesa do político como forma de provocar o impedimento do ministro no julgamento que analisava a abrangência e aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Adriano Borges aparece em vídeo negociando honorários para integrar a banca de defesa de Joaquim Roriz no STF. Borges é genro de Ayres Britto e, por isso, teria de se declarar impedido e não participar do julgamento. Como a análise do caso terminou empatada em cinco votos a cinco, a ausência do magistrado daria vitória a Roriz.

Com o impasse na Suprema Corte, o ex-governador renunciou à sua candidatura e colocou a mulher, Weslian Roriz, em seu lugar.

No início da tarde, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, informou que o Tribunal de Ética e Disciplina da Seccional da OAB do Distrito Federal investigará Adriano Borges e advogados do ex-governador Joaquim Roriz envolvidos em uma suposta negociação para que o ministro Ayres Britto tivesse de se declarar impedido e não votasse no julgamento sobre a Ficha Limpa.

Independentemente da investigação, Ophir Cavalcante prestou solidariedade ao ministro do STF, que ele acredita ser inocente no episódio. "Pela forma como tem se posicionado ao longo de sua trajetória no Judiciário, estou convencido que o ministro Ayres Britto não teve conhecimento das negociações", disse Cavalcante.