Programa de TV em hospital público tumultua fim de campanha em Santa Catarina

A gravação de um programa eleitoral do candidato do DEM ao governo de Santa Catarina, Raimundo Colombo, no interior de um hospital de Lages, cidade localizada a 200 quilômetros de Florianópolis, está gerando polêmica nesta reta final de campanha.
O PT usou o espaço destinado à propaganda gratuita de deputados na noite desta quinta-feira para acusar o DEM de gravar cenas internas no Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos, prejudicando procedimentos médicos e cirurgias agendadas.
Todos os procedimentos teriam sido adiados até que algumas cenas fossem gravadas com o candidato Raimundo Colombo. O caso teria ocorrido no dia 14 de agosto, de acordo com relatórios elaborados pelos próprios servidores da unidade apresentados no programa da candidata Ideli Salvatti.
O Hospital Tereza Ramos, um dos maiores de Lages e administrado pelo estado, nega que cirgurias tenham sido canceladas. Entretanto, o diretor da unidade, Osmar Buzatti Filho, confirmou em nota que autorizou uma equipe de filmagens a realizar gravações em seu interior. "Como diretor autorizei as filmagens e não houve intercorrência ou prejuízo à população", afirmou por intermédio de uma nota.
A denúncia petista gerou forte reação dos democratas que, nesta sexta-feira, ganharam na Justiça Eleitoral o direito de resposta a ser veiculado na programação noturna de rádio e televisão. Os advogados do PT catarinense informaram que irão recorrer da decisão no TRE.
Além de toda a polêmica na esfera eleitoral, que "esquentou" uma campanha até então pacífica no Estado, o Sindicato de Servidores de Saúde de Santa Catarina apresentou um pedido de investigação do caso junto ao Ministério Público, Tribunal Regional Eleitoral e governo.
O secretário de estado da Saúde, Roberto Hess de Souza, informou no final da tarde desta sexta-feira que a liberação do hospital para filmagens e as denúncias feitas pelo PT e sindicato serão investigadas. Por intermédio de sua assessoria, Hess disse que "diante da repercussão do caso na mídia", determinou a abertura de uma sindicância administrativa para apurar "eventuais irregularidades na conduta" da direção do hospital.