Advogado de Roriz pede que STF investigue Ayres e Lewandowski

Brasília - O advogado Eri Varela, representante do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC), protocolou, nesta sexta-feira (1º), um pedido de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte investigue o ministro Carlos Ayres Britto. Segundo Varela, o ex-governador e ex-candidato ao governo do DF teria sido extorquido pela filha e genro do ministro do STF.

No documento protocolado nesta sexta-feira no STF, Vilela alega que o casal Adriano José Borges Silva e Adriele Pinheiro Ayres de Brito, respectivamente genro e filha do ministro, teria pedido R$ 4,5 milhões a Joaquim Roriz. Em troca, o nome do casal constaria como advogados de defesa do ex-governador, o que impediria Ayres Britto de votar no julgamento do recurso de Roriz sobre a aplicação da lei da Ficha Limpa nas eleições do próximo domingo (3). O casal já havia feito a defesa de Roriz quando o ex-governador entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com Eri Vilela, o ministro Carlos Ayres Britto sabia da negociação.

Vilela alega que, caso Joaquim Roriz tivesse aceitado o negócio, Ayres Britto ficaria impedido de votar, já que os nomes de sua filha e genro constariam no documento. O resultado do julgamento da última semana teria ficado em quatro votos a favor e cinco contra a aplicação da lei da Ficha Limpa nas próximas eleições, validando assim a candidatura de Roriz. O julgamento ficou empatado em cinco votos a cinco. Ayres Britto era o relator do caso e ainda pedia a aplicação da lei no pleito de domingo.

Diante do impasse, Joaquim Roriz decidiu retirar a candidatura ao governo do DF e colocar sua mulher, Weslian Roriz, em seu lugar. O STF arquivou o pedido de recurso de Roriz, já que o ex-governador desistiu de concorrer ao cargo.

Eri Varela anexou ao pedido a gravação do áudio de três fitas, com aproximadamente 50 minutos de gravação, em que Roriz aparece negociando valores com o genro de Ayres Britto. Nas fitas, Roriz afirma não obter todo o dinheiro pedido por Adriano, que aceitou receber R$ 1,5 milhão em espécie antes do julgamento e o restante se Roriz saísse vitorioso do STF.

Segundo Varela, as gravações foram feitas no escritório político de Roriz sem que o ex-candidato soubesse. "É um sistema de 'auto-proteção'", afirmou. A conduta de Roriz - que não teria aceitado o negócio por ter considerado alto o preço cobrado por Adriano - também deve ser investigada pelo STF, de acordo com o advogado Eri Varela.

O advogado de Roriz também pediu, no documento, que o STF investigue o ministro Ricardo Lewandowski, que também é presidente do TSE. Para Vilela, Lewandowski teria se apressado em despachar o documento da corte eleitoral para o STF, eliminando assim os nomes do genro e da filha de Ayres Brito. "Depois de cinco dias sem movimentação, o recurso foi requisitado pelo ministro Lewandowski, que o despachou em apenas dois minutos, quando viu o nome da filha e do genro de Ayres Brito no processo", disse.

Vilela afirma, ainda, que a gravação foi feita no dia 03 de setembro, data-limite para a defesa de Roriz apresentar o recurso contra a aplicação da lei da Ficha Limpa ao STF. Como Roriz não teria aceitado fechar o negócio com Adriano José Borges da Silva, outro advogado de defesa do ex-governador compareceu ao TSE às 18h47 do dia 03 de setembro, faltando apenas 20 minutos para acabar o prazo de aceitação do recurso, com o documento feito anteriormente pela equipe de defesa em mãos para protocolar o pedido.

Por meio de sua assessoria, o genro do ministro negou a acusação. Disse ter sido procurado por Roriz - e não o contrário. Acrescentou que estava disposto a defender o então candidato no processo, não apenas "vender" sua assinatura no recurso e, com isso, impedir o ministro de votar.

Ao jornal Folha de S.Paulo, o ministro negou qualquer envolvimento com a negociação e disse que o genro deve responder às acusações.