No Rio, José Serra nega conversa com Gilmar Mendes

O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, em coletiva de imprensa em Copacabana, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (28), negou que tivesse conversado com o ministro Gilmar Mendes antes da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os documentos que os eleitores devem levar para votar no domingo. Afirmou também achar estranha a mudança de normas depois que o TSE já havia instruído a população a respeito.

"Só achei estranho uma lei que foi aprovada há um ano em todo o Congresso Nacional, Casa Civil, pela Dilma (Rousseff) e encaminhada ao presidente Lula... O presidente da República aprovou a lei, a lei foi para o TSE e o TSE instruiu toda a população a votar de determinada maneira... chega na última semana, o PT entra na última hora para derrubar a lei, para mudar a lei. Achei esquisito, uma atitude estranha", disse.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo aponta que Mendes e Serra se falaram por telefone por volta das 14h desta quarta, antes da sessão plenária do STF que discutiu a exigência de dois documentos para que o eleitor possa votar. Na mesma tarde, apesar de sete dos atuais dez ministros já terem votado para derrubar a exigência, Gilmar Mendes pediu vista dos autos, paralisando a análise do caso.

O candidato ainda afirmou não acreditar que a queda da exigência de dois documentos para a votação traga "grandes consequências do ponto de vista do resultado da eleição". Serra acredita que isso não vai prejudicar o seu resultado nas urnas. Segundo o tucano a lei tornava a fraude no voto mais difícil, tornava o voto mais seguro. Para Serra, o PT entrou contra a norma na última hora por que "deve achar que o voto menos controlado o favorece, mas isso não vai alterar a questão das eleições".

Questionado sobre sua expectativa para o debate, Serra respondeu ser "a melhor possível" e afirmou ser muito importante para o eleitor: "o debate ajuda a iluminar a cabeça do eleitor que está tomando agora a sua decisão". O candidato se disse satisfeito com qualidade de sua campanha: "uma campanha forte em todo o Brasil, uma campanha onde vi pessoas de todos os cantos deste País".

Serra tem feito questão de ressaltar sua disposição para fazer campanha. Nesta quinta antes do debate, não foi diferente. "Nós entramos nesta reta final com mais ânimo e energia do que quando começamos (...) Eu estou convencido de que vamos ter um segundo turno. E nesse segundo turno a população vai poder conhecer melhor aqueles que forem os dois candidatos mais votados", ressaltou.

O tucano fez questão de destacar a ausência da petista Dilma Rousseff em outros debates. "Acho que a campanha de modo geral esclareceu muita coisa. Evidente que a candidata do PT foi de longe a que mais se escondeu. E ainda permanece escondida, seja atrás do presidente da República ou do seu aparato de partido".