Dilma diz que ligação de Serra a Mendes "é prova de aparelhamento"

 

A candidata à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), pediu nesta quinta-feira (29) cautela no julgamento ao suposto telefonema do adversário José Serra (PSDB) para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, antes da votação sobre a obrigatoriedade de dois documentos para votar. Em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, a petista afirmou que ainda não há provas sobre o fato, mas criticou o ocorrido, caso venha a ser confirmado.

"Não vi provas, mas se for verdade, é uma das provas mais escandalosas de aparelhamento", disse a candidata.

Dilma também comemorou a decisão do STF, que acolheu o pedido do PT e derrubou a exigência da apresentação de dois documentos para votar no próximo domingo (3). "Facilita o ato de votar de milhões de brasileiros. Estamos todos muito felizes."

A petista ainda rebateu a acusação da candidata Marina Silva (PV) de que teria mudado sua opinião a respeito do aborto. "Lamento que Marina faça uma avaliação sobre minhas convicções", disse Dilma. Para a presidenciável, essa "não é uma questão de polícia, é uma questão de saúde pública".

Além de devolver a crítica de Marina, Dilma desqualificou a realização de um plebiscito, proposta pela candidata do PV, para decidir sobre a criminalização do aborto. "Quando não sabe resolver um problema, joga para um plebiscito. Como presidente da República, você não tem que ser contra ou favor, tem que cumprir a constituição", afirmou a petista.

Na noite desta quinta-feira, Dilma participa do último debate antes da eleições, promovido pela Rede Globo, com os candidatos José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio (Psol).

No Rio, José Serra nega conversa com Gilmar Mendes

MARCELA ROCHA , Portal Terra

O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, em coletiva de imprensa em Copacabana, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (28), negou que tivesse conversado com o ministro Gilmar Mendes antes da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os documentos que os eleitores devem levar para votar no domingo. Afirmou também achar estranha a mudança de normas depois que o TSE já havia instruído a população a respeito.

"Só achei estranho uma lei que foi aprovada há um ano em todo o Congresso Nacional, Casa Civil, pela Dilma (Rousseff) e encaminhada ao presidente Lula... O presidente da República aprovou a lei, a lei foi para o TSE e o TSE instruiu toda a população a votar de determinada maneira... chega na última semana, o PT entra na última hora para derrubar a lei, para mudar a lei. Achei esquisito, uma atitude estranha", disse.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo aponta que Mendes e Serra se falaram por telefone por volta das 14h desta quarta, antes da sessão plenária do STF que discutiu a exigência de dois documentos para que o eleitor possa votar. Na mesma tarde, apesar de sete dos atuais dez ministros já terem votado para derrubar a exigência, Gilmar Mendes pediu vista dos autos, paralisando a análise do caso.

O candidato ainda afirmou não acreditar que a queda da exigência de dois documentos para a votação traga "grandes consequências do ponto de vista do resultado da eleição". Serra acredita que isso não vai prejudicar o seu resultado nas urnas. Segundo o tucano a lei tornava a fraude no voto mais difícil, tornava o voto mais seguro. Para Serra, o PT entrou contra a norma na última hora por que "deve achar que o voto menos controlado o favorece, mas isso não vai alterar a questão das eleições".

Questionado sobre sua expectativa para o debate, Serra respondeu ser "a melhor possível" e afirmou ser muito importante para o eleitor: "o debate ajuda a iluminar a cabeça do eleitor que está tomando agora a sua decisão". O candidato se disse satisfeito com qualidade de sua campanha: "uma campanha forte em todo o Brasil, uma campanha onde vi pessoas de todos os cantos deste País".

Serra tem feito questão de ressaltar sua disposição para fazer campanha. Nesta quinta antes do debate, não foi diferente. "Nós entramos nesta reta final com mais ânimo e energia do que quando começamos (...) Eu estou convencido de que vamos ter um segundo turno. E nesse segundo turno a população vai poder conhecer melhor aqueles que forem os dois candidatos mais votados", ressaltou.

O tucano fez questão de destacar a ausência da petista Dilma Rousseff em outros debates. "Acho que a campanha de modo geral esclareceu muita coisa. Evidente que a candidata do PT foi de longe a que mais se escondeu. E ainda permanece escondida, seja atrás do presidente da República ou do seu aparato de partido".

Procuradoria não vai apurar suposto telefonema Serra-Mendes

Dayanne Sousa e Eliano Jorge, Portal Terra

A Procuradoria-Geral Eleitoral afirma que não haverá apuração da suspeita de que o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes interrompeu nesta quarta (29) o julgamento sobre a necessidade de apresentação de dois documentos para o voto a pedido do candidato do PSDB à presidência, José Serra.

A informação oficial é a de que a Procuradoria não recebeu nenhuma denúncia sobre o caso. A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, está a frente de uma série de apurações, como as que envolvem multas por propaganda antecipada.

Ela também pediu que a Revista Carta Capital esclarecesse quanto recebe por publicidades do governo federal. O ofício foi encaminhado à revista logo após a publicação de uma reportagem que afirmava que a empresa da filha do presidenciável José Serra (PSDB), Verônica, seria responsável pela quebra do sigilo de 60 milhões de correntistas. Em entrevista ao Portal Terra, Cureau declarou que apenas cumpre o "rito jurídico". "Fizeram uma denúncia", afirmou. "Isso não significa juízo de valor meu".

Em uma ação direta de inconstitucionalidade, o Partido dos Trabalhadores (PT), questionou a necessidade de exigir do eleitor um documento com foto além do título eleitoral. A obrigatoriedade dos dois documentos é apontada como desfavorável para a candidatura da petista Dilma Rousseff. Isso porque ela tem mais eleitores com menos escolaridade, faixa na qual a abstenção poderia aumentar se a obrigatoriedade fosse cumprida.

Nesta quinta (30), o plenário do STF voltou debater a questão dos documentos. Por oito votos a dois, foi derrubada a dupla exigência de apresentação do título de eleitor e de outro documento oficial com foto para que o eleitor possa votar no pleito de outubro. Apenas os ministros Gilmar Mendes e Cezar Peluso se manifestaram em favor da cobrança dos dois documentos de identificação por considerarem que essa obrigatoriedade não representaria afronta à Constituição.