Comitê pede saída do governador do Amapá, Pedro Paulo (PP)

Um ato público organizado pelo Movimento Eleições Limpas pela saída do governador Pedro Paulo Dias (PP) do cargo e intervenção federal nas eleições do Amapá reuniu cerca de mil pessoas, nesta quinta-feira (30), na praça da Bandeira, uma das mais importantes da capital Macapá.

O movimento está recolhendo assinaturas contra a presença de Pedro Paulo Dias no governo após seu envolvimento em denúncias de corrupção investigadas pela Operação Mãos Limpas. A expectativa é conseguir mais de três mil assinaturas até o fim da manifestação, que inclui shows artísticos e discursos dos membros do movimento.

"A gente precisa de mais ações para a juventude, chega de gente ruim em nosso Estado", opinou o estudante Marcelo Nogueira, um dos participantes do evento.

O comitê Eleições Limpas, organizado pelo movimento, está tentando envolver o maior número possível de pessoas e conscientizar a população sobre as consequências da venda do voto e das responsabilidades na hora de votar.

Edinaldo Batista, membro do Comitê e coordenador do movimento no Amapá, afirmou que qualquer pessoa que não represente partidos políticos pode colaborar nas ações para garantir o "poder dos cidadãos nestas eleições".

Entenda o caso

O governador do Amapá e candidato à reeleição, Pedro Paulo Dias foi preso no último dia 10, em Macapá, durante a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, suspeito de envolvimento com uma organização criminosa que desviava recursos públicos do Estado do Amapá e da União. Após nove dias na prisão, Pedro Paulo foi solto e voltou a seu cargo no dia 20.

As investigações da Operação Mãos Limpas começaram em agosto de 2009 presididas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A PF investigou indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá.

A polícia constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação beneficiavam empresas selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.

Foram identificados também desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.